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28 de Setembro de 2021

Guido Palomba e desvio de personalidade de Jair Messias Bolsonaro

Sérgio Henrique da Silva Pereira, Jornalista
há 4 meses

Se a situação do presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, não está nada bem, pela CPI da Covid-19, com certeza, muito pior ficou.

Guido Palomba é psiquiatra forense. O vídeo é de 18/05/2021, no canal da TV Cultura (Guido Palomba aponta sinais de desvio de personalidade em Jair Bolsonaro, https://www.youtube.com/watch?v=GnYYCELPNsY), no YouTube.

No site UOL Notícias, publicado em 23/03/2021, "Jair Bolsonaro é um psicopata?", apresentou outro ponto de vista.

Em outros artigos publiquei sobre comportamentos por ideologia desagregados de psicopatia. Há uma tendência na Web: tudo que é "péssimo", "macabro" e "bestial", resume-se em "psicopatia".

Divulgado nalguns artigos, a matéria no BBC Brasil "Pesquisador se descobre psicopata ao analisar o próprio cérebro" (https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/12/131223_psychopath_inside_mv).

Também publiquei o caso de Phineas P. Gage (DAMÁSIO, António R. O Erro de Descartes. Companhia das Letras). Após o acidente, uma barra de ferro transpassou seu crânio, Gage deixou de ser "bom cidadão", os comportamentos eram de desleixo, imorais.

No site da Superinteressante:

"Nem todo mundo que mata é psicopata, e nem todo psicopata mata. Como saber, então, quando um assassinato é um ato isolado de fúria e violência e quando um crime indica sinais de crueldade da mente de quem o praticou? Como essa maldade evolui até criar um serial killer?" (https://super.abril.com.br/mundo-estranho/psicopatasaescala-psiquiatrica-que-mede-os-22-niveis-de-....

Se o "nosso" presidente da República Jair Messias Bolsonaro -- mesmo que não tenha votado nele, ele é o "seu representante" -- é psicopata ou não, somente estudos de especialistas. E pelo que coloquei neste artigo, as divergências de especialistas, não de palpiteiros. Notem. A liberdade de expressão garante a liberdade de ideias, contudo, sobre psicopatologia, o diagnóstico é restrito aos profissionais.

Isso é importante para evitar "caça às bruxas" pelo "exercício arbitrário das próprias razões", como já ocorreu.

"Fale News" e "Escola Base" são acontecimentos péssimos para a dignidade humana e a democracia humanista.

Seriam todos os católicos psicopatas por perseguirem, por séculos, os judeus? Os judeus, como "povo escolhido" contra os povos "não escolhidos"? Neste último caso, as guerras entre palestinos e judeus, a Guerra dos Seis Dias, que foi objeto de censura da ONU na época, os acontecimentos recentes de desapropriações contra os palestinos -- recomendo assistir matéria da BBC Brasil sobre Israel e Palestina (Como começou o conflito entre israelenses e palestinos, https://www.youtube.com/watch?v=t7LVfD8Rd5g)

E a "guerra religiosa silenciosa", no Brasil, entre católicos e evangélicos? Nos anos de 1990 os evangélicos eram considerados como "seguidores de seita".

Notem. Comportamento por ideologia, esta perpetuada por educação, de geração a geração. Quando há uma ideologia considerada como "única verdadeira", demais ideologias são "perigosas", e devem ser combatidas. Por exemplo, "Neturei Karta, judeus ultra-ortodoxos que apoiam os inimigos de Israel" (http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/12/neturei-karta-judeus-ultra-ortodoxos-que-apoiam-os-inimigo...):

"Seu ideário defende o desmantelamento pacífico de Israel segundo a crença mais ortodoxa que os judeus estão proibidos de ter um Estado próprio até que não aconteça o advento do messias, segundo um castigo que aparece no livro do profeta Amós.

'A ideia sionista é contrária à religião judia, e nós como judeus autênticos nos opomos a ela', defende em entrevista à Agência Efe o rabino Meir Hirsch, líder do grupo, em sua casa do bairro ultra-ortodoxo de Mea Shearim, de Jerusalém."

Não é a educação que transforma, porém o conteúdo da educação. Transformar para quê? Para qual comunidade?

Hannah Arendt, em "Banalidade do Mal", considerou o Holocausto nazista como "crime contra a humanidade", e não somente aos judeus. Nada mais racional, pois todos os seres humanos são da espécie humana.

É cediço que existem crimes praticados por fornecedores sejam fabricantes, montadoras, revendedoras, comerciantes etc. Os "crimes maiores", de corporações, geram muito mais prejuízos do que "crimes pequenos", de lojistas, por exemplo. As condenações às corporações não abalam suas estruturas econômicas, o que favorece, muito mais, mais crimes contra os consumidores. Há também os "crimes maiores" cometidos por concessionárias de serviços públicos, mas pouco de responsabilidade recai sobre elas. Lesam, diuturnamente, os consumidores, os seus lucros são astronômicos, enquanto a dignidade dos consumidores não passa de objetificação para as concessionárias.

O capitalismo de Alcova. É esse capitalismo que dá margem de justificativa, na atualidade, para os movimentos negacionistas das vacinas, pois "as empresas só pensam no lucro".

Sobre "imunidade de rebanho", um exemplo:

"Quando era um jovem estudante de medicina, Jenner ouvira de uma vendedora de leite: 'Não posso pegar varíola porque já tive varíola bovina.' O vírus da varíola bovina assemelha-se tanto à humana que a exposição à primeira confere imunidade à segunda. Mas a bovina raramente se transforma em uma doença grave. (O vírus que a causa é chamado de “vaccinia”, derivativo de vacinação.)

O trabalho de Jenner com varíola bovina foi um marco, mas não porque foi o primeiro a imunizar as pessoas contra a varíola humana. Muito tempo antes, chineses, indianos e persas já haviam desenvolvido diferentes técnicas de expor crianças à varíola para imunizá-las, e na Europa, ao menos no início do século XVI, leigos — e não médicos — retiravam material das pústulas dos que apresentavam casos brandos de varíola e o arranhavam na pele daqueles que ainda não haviam contraído a doença. A maioria das pessoas infectadas dessa maneira desenvolveram casos brandos e tornaram-se imunes. Em 1721, em Massachusetts, Cotton Mather seguiu o conselho de um escravo, experimentou essa técnica e evitou uma epidemia letal.

Mas a “variolação” pode matar. Vacinar com varíola bovina era muito mais seguro do que a variolação.

Entretanto, do ponto de vista científico, a contribuição mais importante de Jenner foi sua rigorosa metodologia. Em relação à sua descoberta, ele afirmou: “Coloquei-a sobre uma pedra de onde sabia que não seria removível antes de convidar o público para olhar.”

Mas ideias custam a desaparecer. Enquanto Jenner realizava seus experimentos, e apesar do grande aumento de conhecimento sobre o corpo humano derivado de Harvey e Hunter, a prática médica mudara pouco. E muitos médicos, se não a maioria, que refletiam seriamente sobre a medicina ainda a consideravam apenas em termos de lógica e observação." (A Grande Gripe Espanhola. John M. Barry, 2004)

Neste link (https://youtu.be/lQ4ICQdnYIw) um fragmentado do vídeo sobre antissemitismo. É possível um antissemita ser acusado de mentiroso quando acredita, veementemente, no que afirma? Também é mentiroso um racista à etnia negra ratificar seu posicionamento com base na "tradição da educação" (https://youtu.be/CyNG1gxi_18)?

Não sei se algum leitor notou, mas a minha ideia é de que não é o ato desumano somente como efeito da psicopatia; a desumanidade, na Era dos Direitos Humanos, também pode ser por modelos de educação, isto é, o tipo de educação ideológica. A educação dos Direitos Humanos é também uma ideologia. É péssima?

Neste vídeo (https://youtu.be/OSamxOZMCmE) um ex-racista:

"A percepção de que o negro também é ser humano."

O ex-racista se inspirou em Hannah Arendt?

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A tradição Ocidental possui ideologias, muitas são racistas. A ideia de escravidão e servilismo, ambos como direito natural, respectivamente, na filosofia aristotélica, em "Política", e na crença judaico-cristã.

"Menos Estado" se encontra na navegação da Europa para o "Novo Mundo" (América), no navio Mayflower, no século XVII. O Estado deveria demonstrar o porquê de tributar; muito diferente do Estado absolutista na Europa, que tributava pela única vontade do rei.

O problema atual é fragmentar os acontecimentos históricos, os pensamentos dos filósofos. Por exemplo, John Locke considerou o direito de propriedade como direito natural, o excedente deveria ser distribuído aos necessitados, pois estes têm o direito natural de existência; o excedente é o mínimo existencial, na Era dos Direitos Humanos. Como o excedente deixo de "existir", pela Revolução Industrial, do século XVIII, o Estado liberal se mostrou incapaz de resolver as desigualdades sociais. O Estado social se mostrou importante e necessário.

Usa-se Locke para defesa da propriedade privada, no entanto, omite-se a distribuição do excedente.

Pelos expostos, não é difícil compreender o porquê de tanta desinformação, pelo caráter fragmentário, da História e da Filosofia, para promoção das ideologias.

Filosofias como Liberalismo anarcocapitalista, libertarianismo, comunismo e anarquismo, crenças como protestantismo, catolicismo, judaísmo etc., todos tentam explicar o mundo, a espécie humana, dar sentidos para o "bem viver" (utilitarismo).

Termino. Se o nosso presidente da República Jair Messias Bolsonaro é ou não psicopata, somente os estudiosos para responder. Se os correligionários também são, ou não, somente os estudiosos para responder. Entretanto, quem não é profissional da área de saúde mental, não deve dar notícias subjetivas por simples ojeriza. Ou para defender ideologia distanciada da Era dos Direitos Humanos.

As filosofias econômicas e as crenças, todas podem trazer benefícios para a espécie humana, quando houver "nós espécie" e não "nós comunidade". Do contrário, a espécie humana continuará em guerra, movimentos anticiência continuarão, o Estado não será para todos, contudo para "eleitos". E não há eleitos na Terra, não há privilegiados, não há "bons cidadãos" e "maus cidadãos", quando os "bons" cometem guerras fratricidas, dentro do próprio país ou com outro (s) país (es).

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