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4 de Abril de 2020

Por que o PT é tão odiado e tão amado?

E uma visão além do PT.

Sérgio Henrique da Silva Pereira, Jornalista
há 4 anos

O Partido dos Trabalhadores [PT] é um partido singular, no tocante a sua trajetória política na história brasileira. O PT foi fundado no dia 10 de fevereiro, de 1980, no Colégio Sion (SP). O PT surge como partido de massa em defesa dos proletariados, das riquezas nacionais, da participação do povo [excluído, já que a aristocracia mandava e desmandava] e contra o sistema Capitalista, principalmente dos EUA, que dominavam, pelo imperialismo moderno, os setores políticos e econômicos dos países do terceiro mundo ou subdesenvolvidos.

“O Partido dos Trabalhadores pretende que o povo decida o que fazer da riqueza produzida e dos recursos naturais do país. As riquezas naturais, que até hoje só têm servido aos interesses do grande capital nacional e internacional, deverão ser postas a serviço do bem-estar da coletividade. Para isso é preciso que as decisões sobre a economia se submetam aos interesses populares. Mas esses interesses não prevalecerão enquanto o poder político não expressar uma real representação popular, fundada nas organizações de base, para que se efetive o poder de decisão dos trabalhadores sobre a economia e os demais níveis da sociedade”.

(...)

Os trabalhadores querem a independência nacional. Entendem que a Nação é o povo e, por isso, sabem que o país só será efetivamente independente quando o Estado for dirigido pelas massas trabalhadoras. É preciso que o Estado se torne a expressão da sociedade, o que só será possível quando se criarem condições de livre intervenção dos trabalhadores nas decisões dos seus rumos. Por isso, o PT pretende chegar ao governo e à direção do Estado para realizar uma política democrática, do ponto de vista dos trabalhadores, tanto no plano econômico quanto no plano social. O PT buscará conquistar a liberdade para que o povo possa construir uma sociedade igualitária, onde não haja explorados nem exploradores. O PT manifesta sua solidariedade à luta de todas as massas oprimidas do mundo. [1]

Lula é PT, PT é o Lula

Luiz Inácio Lula da Silva, mais conhecido como Lula beleza, tem um trajetória que comove, sem dúvidas, qualquer brasileiro excluído por políticas segregacionistas. Sempre que acho necessário citar a máquina antropofágica da Arquitetura da Discriminação, não titubeio. A máquina da Arquitetura é uma máquina de moer seres humanos, suas engrenagens foram forjadas no Império brasileiro, quando os negros serviram como mão de obra escrava para enriquecer Portugal e, posteriormente, após a independência do Brasil, de Portugal, da oligarquia e da aristocracia tupiniquim. Assim, a máquina antropofágica moeu músculos, tendões, vísceras, e ossos, dos negros, para se construir uma país. Todavia, a construção do Brasil favorecia tão somente uma pequena percentagem de brasileiros, os chamados “sangue azul”, os quais se sentiam donos da vida e da morte, as elites brasileiras.

Pois bem, Lula representou, no Golpe Militar [1964 a 1985] a esperança, de dias melhores, e o enfrentamento, às elites capitalistas no Brasil, do proletariado, dos excluídos secularmente. Lula, com sua barba comprida e aparência desleixada incomodava as elites brasileiras, mas era amado pelos proletariados [negros, nordestinos, enfim, os párias brasileiros], pois falava o idioma do povo, não era um engomadinho a proferir palavras e frases intelectualizadas às quais não serviam para os proletariados, estes querem palavras com sentidos às emoções destes, inconformismo de serem escravos modernos de um sistema antropofágico.

Lula, durante o Golpe Militar, é o símbolo nacional de liberdade, para os párias, e um subversivo, assim pensavam os militares e as elites brasileiras, e até para os EUA, para a segurança nacional, os bons costumes. Em plena ditadura militar, Lula comandava greves gerais — para os militares e as elites, o nordestino proletariado era um vagabundo e desordeiro — em defesa da classe trabalhadora. A prisão de Lula, em, representou o nascimento de um ícone nacional, um pária a se rebelar contra a máquina antropofágica.

As primeiras eleições diretas pós-militarismo

Recém-saído dos escombros deixados pelos militares, os que deram e quiseram perpetuar o Golpe de 1964, a democracia fora restabelecida através das primeiras eleições diretas no Brasil. “Diretas Já!” foi, sem dúvida, um movimento nacional sem diferenciações de etnia, de morfologia, de religião, de classe social, se pessoa com necessidade especial ou não. “Diretas Já!” foi um basta coletivo nacional a tudo que se referia ao militarismo.

“O movimento ganhou força a partir de janeiro de 1984, quando os governadores, particularmente [Franco] Montoro, em São Paulo; [Leonel] Brizola, no Rio [de Janeiro] e Tancredo [Neves], em Minas, aderiram e houve uma série de manifestações em todo o país. No entanto, a proposta inicial veio do PT [Partido dos Trabalhadores] e de setores mais de esquerda”, ressalta o professor de sociologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcelo Ridenti. [2]

O crescimento da esquerda no Brasil

O PT representa a esquerda no Brasil. Representa porque foi o PT que levou a ideologia da esquerda ao poder, quando Lula foi empossado como Presidente da República Federativa do Brasil, em seu primeiro mandato. Lula aprendeu as técnicas de marketing eleitoral. Sua trajetória visual foi mudando ao longo de sua trajetória política, do ambiente sindicalista para o ambiente político para se tornar presidente. Sua barba fora encurtada e aparada, assim como seus cabelos, a dicção começou a ser treinada, assim como os gestos, não mais atacava o capitalismo, mas que ele poderia ser benéfico desde que o Estado o controlasse em favor da Nação e, principalmente, dos párias.

A esquerda, pela ação do PT Lula, trouxe uma esperança aos párias; os programas sociais do PT, querendo ou não, melhoraram a vida de milhões de brasileiros [párias]. Os programas sociais do PT, querendo ou não, foram sequenciados dos programas sociais do ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Ou seja, FHC deu o pontapé inicial aos programas sociais na nova democracia brasileira, e Lula deu continuidade. Na vigência do PT no poder, outros programas sociais foram criados, perder-se na enfadonha ideia de dar medalhas e condecorações ao presidente [FHC ou Lula] que materializou, primeiro, os programas sociais, não é o espirito da lei [CF/88], já que não há reis, faraós, papados, mas soberanos e representantes [art. 1º, parágrafo único, da CF/88], que fique solar.

O desmoronamento do PT

PT, antes do Mensalão, era um partido salvador, um messias a salvar tanto a Administração Pública quanto o povo [pária], de ideologias segregacionistas e de corrupção. A Administração Pública deveria servir ao povo em sua totalidade, e não tão somente a uma classe social, principalmente a elitizada. O desenvolvimento humanístico brasileiro só seria alcançado quando os párias tivessem as mesmas oportunidades de ascensão socioeconômica como tivera a elite, contudo, sem que houvesse escravização da elite — uma certa vingança dos párias aos elitizados —, mas reconhecimento que todos deveriam se unir num bem coletivo para se humanizar o Brasil.

Tudo ia bem, aparentemente. É preciso relembrar que a elite brasileira jamais viu com bons olhos as ideologias da esquerda socialista, afinal, a esquerda representa a luta dos proletariados contra as explorações da elite. E o término das explorações dos setores elitizados aos proletariados representava perigo econômico e financeiro àqueles. Também representava perigo à elite ao ter que conviver com os párias, lado a lado, já que a possibilidade à ascensão socioeconômica destes os colocariam dentro dos prédios residências, dos clubes, dos shoppings, enfim do terrenos e locais murados e cercados pelos preconceito da elite brasileira. Além disso, a ascensão socioeconômica permitiria que os párias frequentassem estabelecimentos de estudos, e o saber é perigoso para a elite, já que saber é ter poder em mãos, de contestar, de exigir, reivindicar direitos normatizados na Carta Política de 1988. E mais além, como a elite brasileira iria ter seu momento de lazer se não pudesse ridicularizar os párias, já que qualquer discriminação racial é crime. O chão estremeceu para a elite. A elite também se viu ameaçada, por exemplo, quando os empregados domésticos passaram a ter direitos trabalhistas. Ora, secularmente os párias sempre foram escravos, sendo as senzalas as políticas sociopolíticas criadas pela elite. O princípio da isonomia ameaça a elite. E quantas saudades a elite do século XXI sentia, como sentiu a velha Rundle:

“Longa conversa com a velha Rundle (née Maxwell) sobre o Brasil do meado do século XI. A velhinha deve ter nascido por volta de 1840. Terá agora seus oitenta e tal anos. Está lúcida. É um encanto de velhinha. Inteligente e fidalga. Mostra-me fotografia antiga do palacete dos Maxwell no Rio: vasto palacete. Belo arvoredo. Aspecto de grandeza. Fala-me com saudade do Rio do tempo de Pedro II ainda moço. Ela frequentava os melhores salões da corte brasileira, filha que era de Maxwell, o então rei do café. Quem lê os livros e jornais da época encontra referências numerosas ao nome desse famoso escocês abrasileirado. Era na verdade um nababo: imensamente rico. Escocês encantado pela natureza do Brasil e pelas maneiras, pelos costumes e me diz a velha Rundle que muito particularmente pelos doces e bolos brasileiros. E ao contrário dos escoceses típicos, um perdulário. Sua era uma das melhores carruagens do Rio no meado do século XIX. Seus pajens e escravos primavam pelos belos trajos. Suas mucamas, também. A velha Rundle cresceu como uma autêntica sinhazinha: mimada, servida por mucamas, negrinhas, negras velhas que lhe faziam todas as vontades. ‘Como não ter saudades de um Brasil onde fui tão feliz?’, pergunta-me ela servindo-me vinho do Porto. ‘E por que não voltou ao Brasil?’, pergunto-lhe eu. Mas não insisti na pergunta: a velhinha chorava. Chorava seu Paraíso Perdido, e esse Paraíso Perdido foi o Rio de 1850 – com todos os seus horrores; mas a que entretanto não faltavam grandes encantos. São assim as épocas: todas têm seus encantos e não apenas horrores de epidemias, imundície, crueldade”. (FREYRE, 2012, p. 129).

Exatamente, a elite chorava como a velha Rundle desiludida com os novos tempos. O saudosismo ao passado — cujos corpos dos párias eram chicoteados, marcados com ferro em brasa, como se marca gado, a imposição de trabalho desumano — já causava dor e revolta à elite. Restava a elite ajoelhar e rogar à “santa velha Rundle” que ajudasse a restabelecer os tempos “áureos” da sociedade pura e superior no Brasil.

Todavia, as preces foram ouvidas. A máscara do PT caíra por terra. Um “salvador” surgiu para a elite, para os partidos de direita; eis que surge Roberto Jefferson.

O escândalo do Mensalão aconteceu em 2005, na frágil democracia brasileira. O cabeça, nas denúncias dos investigados à época, era Lula. Apesar das denúncias, Lula não foi considerado o chefe da quadrilha. Mensalão evidenciou aos brasileiros o que já se imaginava, a promiscuidade entre setores privado e público. Marcos Valério foi um dos beneficiados pelo esquema ignóbil contra o estado Democrático de Direito. O PT até então era considerado o partido político, dentre muitos, sejam de direita ou esquerda, imaculado. E isso causou ojeriza aos partidos de direita. A direita esteve na condução do poder do Estado desde o século XIX. Os escândalos envolvendo os partidos de direta não agradavam ao povo, principalmente os excluídos socialmente.

Esquerda no poder, no primeiro mandato de Lula, não agradou os partidos de direita, principalmente quando se avalia a historicidade brasileira aristocrática. O PT parecia o único partido a levar dignidade humana aos párias [nordestinos, negros, pessoas com necessidades especiais, indígenas, mestiços], dignidade usurpada pela direita [elite]. A popularidade do então Presidente da República [Lula] deu força aos párias de lutar pelos seus direitos humanos. Não tão somente os párias, mas os cidadãos brasileiros, como intelectuais, jornalistas, professores, juristas etc. Os quais queriam um Brasil humanizado. O Mensalão, porém, demonstrou que o partido PT não era uma divindade celestial no solo pátrio, mas um escolhido, não eleito, pela Divindade. Como escolhido, ainda era um ser humano dotado de imperfeições, como ganância, sadismo político. No final do processo do Mensalão, a República saiu fortalecida, a sociedade contra a corrupção exigiu punições aos culpados. Contudo, a direita traçava nas sombras planos de desestabilizar o PT. Com as eleições de 2014, Aécio Neves, até então um político ilibado em sua imagem, atacou o PT e a presidenta à reeleição presidencial, a V. Exª. Dilma Rousseff.

Os ataques ideológicos foram constantemente colocados aos eleitores. Denúncias de corrupções serviram como base de enfraquecimento ao “inimigo” candidato. Dilma e Aécio mantinham sempre as posturas de acusações recíprocas. No final, Dilma foi reeleita. O que parecia resolvido no campo político eleitoral começou a ser introduzido, com mais veemência, no Congresso. As discórdias entre direita e esquerda, e suas bases aliadas, começaram a emperrar o Congresso. Medidas urgentes ao desenvolvimento do país ficaram em segundo plano, na maioria das vezes. Dilma foi acusada de dar “pedaladas” e de manipular as eleições de 2014.

A “santa velha Rundle” ajuda os fieis

Com o Mensalão, e depois Lava Jato, a elite se ergue contra os subversores da pátria, dos bons costumes e da honestidade. Perseguições acontecem aos “camisas vermelhas”, a intervenção militar é a solução para todos os males no qual o Brasil vive. Os partidos de direita querem os crânios de Lula e Dilma. Tudo parecia que o PT era tão somente a besta apocalíptica.

Delcídio Amaral e sua bomba apocalíptica

Nada mais importava, a guilhotina tinha que ser montada, a lâmina da revolução libertadora tinha que descer nas cabeças dos todos os adoradores do PT. Contudo, tudo mudara de lugar, as peças já não se encaixam tão perfeitamente como queriam a direita [partidos] e a elite [empresarial e devotos de “santa velha Rundle”.

Com a delação de Delcídio, na Operação Lava Jato, a promiscuidade entre público e privado se mostrou mais diabólica do que o Mensalão.

Delcídio Amaral, o vilão herói, estremeceu o solo brasileiro, de norte a sul, de leste a oeste. Sua delação premiada, e a posterior divulgação de sua delação à mídia, colocaram uma pedra angular no cenário sádico da corrupção entre público e privado: ninguém era abençoado e imaculado. PT, PSDB e demais partidos; Lula, Dilma, Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves etc., de santos, os paus eram ocos. A direita [partidos políticos], pela primeira vez, desde o Mensalão, fora atingida em seu coração. A elite empresarial, que tanto vinha condenando o PT, por ser intervencionista e comprometia o desenvolvimento do país, perdeu, mais uma vez, a oportunidade de ficar calada e dizer que é tão corrupta que venda até a mãe ao tráfico sexual. Os fieis de “santa velha Rundle”, numa súbita revolta, amaldiçoaram a santa, já que a negociação espiritual não fora atendida. Acredito que muitos fieis quebraram as imagens da “santa velha Rundle”.

Ainda não há nada substancialmente comprovado na Lava Jato sobre a delação de Delcídio, mas, mesmo assim, ideologias se digladiam, e a democracia, já frágil, desde a sua promulgação, em 1988, está na berlinda. O sangue de inocentes, na ditadura militar, parece que fora jorrado como espetáculo romano a entreter os espectadores no Coliseu brasileiro. Articulações de ambos os lados acontecem, de forma não mais velada, pois Delcídio, graças a liberdade de imprensa, lançou as bases para uma nova ideologia sociopolítica, ou os brasileiros defendem a democracia, sem bandeiras políticas e partidárias, e como a universalização dos direitos humanos, ou todos os esforços da Polícia Federal, do Ministério Público, do STF e das jornalistas, os quais lutam pela estabilidade e fortalecimento do Estado Democrático de Direito, não passarão de perda de tempo, dinheiro, saúde física e emocional.

Panama Papers, a segunda bomba apocalíptica

Se Mensalão e Lava Jato já causavam ojerizas ao povo, povo este que não está defendendo partidos [direita ou esquerda] e muito menos rogando a “santa velha Rundle”, pior ficou com a investigação de jornalistas investigativos que denunciaram a lavagem de dinheiro. [3]

Panama Papers mostrou como é diabólico o neoliberalismo, quando não há controle e colaborações investigativas entre os Estados para impedir crimes contra os direitos humanos. Panama Papers também não livrou o Brasil. Mais uma vez, o fisiologismo partidário [esquerda e direita] e os fiéis de “santa velha Rundle” em terra tupiniquim ficaram estáticos diante das divulgações das investigações de Panama Papers. Partidos políticos de direita e de esquerda, como PDT, PTB, PSDB, PMDB, PP, PSD e PSB foram citados. Por enquanto, o PT está isento. [4] Mesmo que o PT não fora citado, está maculado [Mensalão e Lava Jato], assim como qualquer outro partido, de direita ou esquerda.

Conclusão

A conclusão que me surge é que o neoliberalismo, sem controle e participações de todos os Estados e Nações, contra a corrupção, é uma besta em pleno século XXI. Numa visão Bíblica, A Grande Meretriz ou a puta da Babilônia [Apocalipse 17:1-18] nunca se fez tão presente neste início de século. Ela age graças as ideologias separatistas, e não universalistas, que nada mais visam enriquecimentos pessoais, dominações coloniais modernas.

Os partidos de direita sempre mandaram e desmandaram no Brasil. Controlados por setores elitizados, o desenvolvimento brasileiros fora segregador, fato. As favelas são exemplos vivíssimos das políticas racistas, pelo controle impeditivo aos párias de conseguirem ascensão socioeconômica. A esquerda surge, então, como salvadora; esquerda representada pelo PT, sendo o salvador Lula. Construía-se, assim, uma imagem benéfica, salvadora, imaculada do PT, de Lula e, posteriormente, de Dilma Rousseff. Porém, o primeiro anjo [Roberto Jefferson] descaído do paraíso mostrou a podridão no Éden do PT. O segundo anjo decaído [Delcídio Amaral] pisou sobre o tórax de seu companheiro infernal, e mostrou que o Éden brasileiro era, na verdade, um inferno entranhado em todos os partidos políticos. A puta da Babilônia fora revelada.

Mesmo assim, atordoados pela a espada de São Miguel, quem não faz distinções entre seres humanos e brasões, a puta da Babilônia se debate, agonizante e ferida, mas desesperada para não perder o seu reinado, mentiroso, sórdido, putrefato. O golpe já fora desferido muito antes do PT. Este apenas participou de um trama diabólico o qual mantém seres humanos perfilados para serem abatidos pela máquina antropofágica.

O PT representava um salvação aos párias, mas os traiu. Uma vez participado de negociações ímprobas, perpetuou a máquina antropofágica, onde só ganham e sobrevivem os sádicos. O PT desmorona, assim como seus partidários. E desmoronam partidos de direita e seus partidários. O solo rachou pelo tremor avassalador da liberdade de expressão, que não permite mais manipulações privilegiando ou denegrindo ideologias partidárias ou sociais. O povo, os cidadãos que não mais acreditam em salvadores, não quer mais demonstrações enérgicas, por palavras e gestos, vazias de conteúdo democrático, republicano. O povo desapaixonado, racional, e não mais hipnotizado pelo canto da seria, quer, tão somente, que os representantes representem os ideais de uma geração desumanizada e que lutou por um futuro melhor. Geração essa que bravamente enfrentou tanques, baionetas, projéteis balísticos e torturas, física e psicológica, a geração que criou a Carta Cidadã de 1988.

Entretanto, ao que me parece, é a carta fora construída sob pilares cujas armações metálicas e concreto foram unicamente construídos pelo calor das emoções, todos os brasileiros queriam seus direitos humanos. Intelectuais, empresários diversos, os jornalistas, a “família de Deus”, todos deveriam agir conforme o Estado déspota. Quem o obedecia recebia recompensas, como concessões de telecomunicações, obras públicas etc. Mesmo assim, havia descontentamento geral, porque jamais houve tamanho sufocamento das liberdades civis. Até a elite, que de início apoio o Golpe Militar, se sentiu ameaçada, já que seus tentáculos foram extirpados. Desse caldeirão infernal, todos se uniram contra os militares, o resultado foi a criação de um novo Poder Constituinte Originário.

No desespero das almas atormentadas, sem distinções de casta, poder econômico e político, o Inferno de Dante abrigava todas as almas brasileiras. Após o restabelecimento da democracia, em 1988, e já todos libertos, os conluios entre políticos e empresários, a corrupção entre os próprios cidadãos, do morador das favelas até os moradores de prédios luxuosos, os ódios entre negros e brancos, e vice-versa, jamais desapareceram por completo. É perceptível quando, não importando a intensidade, e veem ataques entre os próprios cidadãos, sejam eles de etnias, de sexualidade, de religiões, de crenças etc. Diferentes ou não. Por quê? A Arquitetura da Discriminação tupiniquim criou comportamentos separatistas, e não de união universal.

O totalitarismo presente contemporaneamente, entre cidadãos de mesmas ideologias, etnias, morfologias e religiões é tão somente a demonstração de que o ódio é a força motriz existencial para os brasileiros. Na individualização ferrenha, cada qual defende ideologias, desde que elas estejam de acordo com as convicções de quem seja partidário. Destarte, quando não mais serve, muda-se de partido, de grupo etc. E isso é perigosíssimo, pois se permite a sofisticação da máquina antropofágica no país. O que existe contemporaneamente no Brasil é o simples odiar. O totalitarismo está muitíssimo vivo, se alguém tem um posicionamento diferente, esse alguém é perseguido. E isso acontece mesmo entre os pares. Ou a pessoa é extremamente radical, ou é apedrejada publicamente, física e moralmente. No final, são pouquíssimos brasileiros que enxergam a necessidade de união para tirar o Brasil do fosso eterno. A caída vertiginosa paralisou o raciocínio, o emocional, então, se aflorou numa histeria coletiva de ideologias totalitárias, como aconteceu na histeria coletiva da Santa Inquisição e da Revolução Francesa. No final, o que interessa, são corpos queimados e cabeças decapitadas.

Referências:

Câmara dos Deputados. Primeira eleição direta contou com 22 candidatos à presidência da República - Bloco 4. Disponível em: http://www2.câmara.leg.br/camaranoticias/radio/materias/REPORTAGEM-ESPECIAL/466311-PRIMEIRA-ELEICAO-DIRETA-CONTOU-COM-22-CANDIDATOS-A-PRESIDENCIA-DA-REPUBLICA-BLOCO-4.html?blockedDomain=www2.câmara.leg.br

Instituto Lula. Biografia de Luiz Inácio Lula da Silva. Disponível em: http://www.institutolula.org/biografia

PT. História do PT. Disponível em: http://www.pt.org.br/nossa-historia/

YouTube. Eleições 1989 Debate na Band (completo). Disponível em: https://www.youtube.com/embed/zlk8x9QguR8

[1] — PT. Manifesto. Disponível em: https://www.pt.org.br/wp-content/uploads/2014/04/manifestodefundacaopt.pdf

[2] — Agência Brasil. Insatisfação com a ditadura eclode nas manifestações das Diretas Já! Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/política/noticia/2014-03/12golpe-insatisfacao-com-ditadura-eclode-nas-manifestacoes-das-diretas-ja

[3] — ICIJ — The Panama Papers. Disponível em: https://panamapapers.icij.org/the_power_players/

[4] — El País. ‘Panama Papers’ atingem políticos de ao menos sete partidos brasileiros. Disponível em: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/04/política/1459782008_417638.html?rel=mas?rel=mas

3 Comentários

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Odiado pela intolerância de seus seguidores.

Amado por seus seguidores por não conseguirem enxergar que o PT tem um sistema de poder, para se manter no poder, e não de governo para governar para o povo.

Não soube aproveitar a oportunidade de governar e chafurdou na incompetência em governar e na exagerada prática da corrupção.

Deixou uma trilha de destruição e de retrocesso que custará muito caro a partir de quando deixar o poder.

Com certeza após deixar o poder irá fazer o possível para tornar o Brasil ingovernável como desculpa para retornar ao poder. continuar lendo

O Brasil lutou tanto pela democracia durante a ditadura militar, mas agora não sabe lidar nem fazer a democracia avançar e produzir seus efeitos benéficos.
O Brasil hoje possui uma infinidade de partidos políticos, que não possuem qualquer tipo de ideal, mas servem somente para abrigar aqueles que querem alguma benesse.
O governo negocia cargos e emendas parlamentares para manter os partidos em sua base aliada. E prega que está exercendo a democracia.
Mas, qual é a verdadeira participação do povo nesta democracia brasileira?
Respondo: pagar altos impostos para manter este sistema corrompido e falido.
O PT, que surgiu como um partido dos trabalhadores, das massas, na realidade não é nada disso. O Senhor Lula, maior líder deste partido, negociou com o Paulo Maluf para eleger o prefeito de São Paulo. Logo o Maluf, que eles criticavam tanto e tanto combatiam!!!!! Negociou com o Sarney, e com figuras nefastas, para construir apenas um objetivo: a manutenção do poder.
Então, vamos ser realistas: no Brasil não existe democracia, existem aqueles que pagam impostos para outros que estão no poder se beneficiarem destes valores e viverem desfrutando das regalias do poder.
Infelizmente, é essa a realidade. continuar lendo

Kuá! Kuá! Kuá! O PT e seus satélites, — juntamente com a religião do Petismo —, cultuam a mediocridade, a baranguice, nivelam a cultura, a arte e a educação básica para baixo. O petismo, junto com o PT, são o Kitsch político. continuar lendo