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19 de Junho de 2021

A lavagem cerebral na Guerra Fria aos livros de História

Liberdade de expressão, sempre!

Sérgio Henrique da Silva Pereira, Jornalista
há 5 anos

Interessante observar como o planeta foi influenciado pelas doutrinações da Guerra Fria. Para os ocidentais, como os brasileiros, a URSS era centro de pecado e matanças diversas. Direitos humanos jamais existiram na antiga URSS, e Lênin, o sanguinário, não respeitou nenhum direito humano. Os comunistas comiam crianças, não eram religiosos, pois não acreditavam em Deus, e também matavam, sem piedade, os inimigos. Na URSS a possibilidade de ascensão socieconômica era inviável, ou seja, se você nascesse pobre, pobre morreria, as mulheres não tinham direitos nenhuns, os LGBTs eram perseguidos, e até mortos. Enfim, o ocidente [EUA], o paraíso, URSS, o inferno.

A liberdade de expressão que conhecemos contemporaneamente não era a mesma durante o período da Guerra Fria, e muito antes dela, pois manipulação à informação garantia controle do poder, interesses mesquinhos, vaidosos e até sádicos. No Brasil, a liberdade de expressão começou a partir da década de 1988, com a Carta Cidadã, e mundialmente, nos países democráticos, com a destruição do Muro de Berlim, em 1989. Talvez, a destruição do muro foi o marco zero de uma nova política planetária, e a liberdade de expressão passou a ser o sustentáculo desta nova política.

Não é difícil encontrar na internet respostas sobre temas relacionados ao socialismo e capitalismo. O capitalismo é o berço esplêndido das oportunidades, o socialismo [comunismo, pois há associação pelos internautas] é a praga à humanidade. Lênin é visto como carniceiro, pois matou mais de 6 milhões. O que "esqueceram" de contar nos livros de história é que Lênin luto por justiça social, o direito dos proletariados e camponeses. A monarquia russa e a autocracia dos czares consumiam boa parte dos recursos nacionais à custa da mão de obra, análoga à escrava, dos camponeses e proletariados. A Revolução de 1917 foi uma Revolução Industrial na URSS. Quando algum proletariado brasileiro pensar em exigir seus direitos trabalhistas, pense na Revolução de 1917, na URSS. Quando algum brasileiro pensar em direitos sociais, os quais se encontram nos arts. e , da CF, pensem na Revolução da URSS.

Na Revolução Francesa, não diferente quanto à libertação do povo [camponeses] às regalias dos monarcas, muitos morreram, principalmente o pai da Revolução, Robespierre, que no final teve sua cabeça guilhotinada. Ou seja, no final da Revolução Francesa o sadismo coletivo em ver cabeças rolando passou a ser mais prioritário do que a própria Revolução.

E o tal do New Deal nos EUA? Através do então Presidente Franklin Delano Roosevelt, os EUA teve crescimento econômico. O Estado interveio na economia — algo que lembre socialismo? —, após a Grande Depressão, de 1929, a qual deixou milhões de norte-americanos na miséria, outros se suicidaram. Uma das medidas econômicas foi facilitar o acesso à moradia. Todos os norte-americanos poderiam sonhar e ter um teto. Ledo engano. Em Detroit, década de 1940, a política habitacional foi estrutura para favorecer os norte-americanos não afrodescendentes. Havia um mapa dividindo localidades de Detroit, de forma que em certas áreas houvesse facilitação para se conseguir moradia própria, em outras não. Nas áreas destacadas [pintadas] moravam afrodescendentes, e toda burocracia deveria ser aplicada para dificultar empréstimos bancários, ou seja, sem dinheiro para quitar dívidas, muitos moradores foram para nas ruas. Aos não afrodescendentes, facilidade de créditos com juros mais baixos.

Dizem os "intelectuais" pró-capitalismo que o socialismo é uma praga, pois não há democracia. Bom, se democracia é favorecimento para alguns cidadãos, enquanto outros ficam na berlinda, algo precisa ser esclarecido aos pseudointelectuais. Esses asseguram que o Estado deve ser menos intrometedor na economia, para que haja desenvolvimento socioeconômico, ou seja, o livre mercado, ou Estado Liberal.

A Revolução Industrial no ocidente, e no oriente, na URSS, mostraram como é nociva às relações humanas, onde poucos exploram a mão de obra de milhões, e estes poucos consomem boa parte dos recursos gerados. Se o Produto Interno Bruto [PIB] é preceito de desenvolvimento social, atenuar as desigualdades sociais, Reino Unido e EUA não estariam no topo das desigualdades sociais. Além disto, muitas transnacionais já foram responsabilizadas por várias violações aos direitos humanos, como trabalho análogo ao escravo, contaminação da flora e da fauna etc. Não é difícil encontrar as violações de direitos humanos ao digitar "multinacionais acusadas", em qualquer mecanismo de busca [GOOGLE, YAHOO, BING]. Recomendo DuckDuckGo, pois muitas informações contidas nele não estão em demais mecanismos de buscas.

No Brasil, nos Anos de Chumbo [1964 a 1985], professores da disciplina de História tinham que contar o que os militares queriam. Nada de falar sobre torturas etc. Nesse período, gerações foram doutrinadas a acreditarem que o capitalismo era a paz celestial na Terra, nenhuma violação aos direitos humanos, somente pelos comunistas/socialistas. No capitalismo, ou livre mercado, todos tinham os mesmos direitos sociais, e os Estado Capitalistas favoreciam a mobilidade socioeconômica. Nessa construção fantasiosa, os brasileiros se desenvolveram organicamente, mas mantiveram ideologias aos molde da Apartheid.

Os direitos sociais são vistos como "assistencialismo" barato do Estado, enquanto os políticos sobrevivem através do Pão e Circo. Logo, o problema não está nos direitos sociais, todavia no uso destes direitos para promoção pessoal do agente. Bolsa Família, por exemplo, no início, já foi motivo de chacotas, desde jornalistas até mesmo políticos opositores, que juram, atualmente, ajoelhados, que os programas sociais são importantíssimos para o desenvolvimento do Brasil.

Cidadãos que se consideram "sangue azul", alguns políticos, professores, jornalistas, médicos etc., quando tiveram que compartilhar os shopping centers e as poltronas dos aviões, baforadas de discriminações foram propaladas no Brasil do "amor e igualdade". Racismo e preconceito? Deus é brasileiro, mas os brasileiros não pensam Nele. O que mais estarrece é que mesmo os que residem em comunidades carentes acham que, por exemplo, as ações afirmativas são institutos políticos [politicagem] e de depreciar a capacidade [meritocracia] dos afrodescendentes. Ou seja, a meritocracia é possível com esforço próprio, e só. Ora, construiu-se, por séculos, no Brasil, a imagem negativa aos afrodescendentes, de que são preguiçoso, desleixados, desonestos, oportunistas, e o mesmo foi aplicado aos cidadãos naturais de regiões que não fossem do Sudeste e do Sul, o restante eram regiões "de ninguém".

Não esquecendo, o desenvolvimento urbanístico nas regiões "dos puros" sempre foi direcionado para expulsar os "vizinhos indesejáveis", como no "Bota Abaixo", de Pereira Passos, e outros projetos urbanísticos no decorrer do desenvolvimento brasileiro.

Encerro este singelo artigo, que jamais se esgotará em si, principalmente enquanto a liberdade de expressão estiver "alforriada", para lançar questionamentos sobre lavagens cerebrais, que ocasionaram guerras, e ainda desencadeiam.

Abaixo, ele já sabia sobre a importância da liberdade de expressão. Seja um pesquisar incansável, se liberte de condicionamentos, doutrinas e lavagens cerebrais.

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e benefício de todos, aceite-o e viva-o". (Buda)

FIAT LUX!

1 Comentário

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Ótimo artigo doutor Sérgio, me inspirou a ler mais sobre o assunto e me aprofundar sobre o tema, obrigada! continuar lendo