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25 de Setembro de 2017

"Fora Dilma, Aécio, Lula, Temer". Ethos, Logos e Pathos. A Pólis destruída

O homem em estado de natureza e isolado só pode ser um deus ou um animal

Sérgio Henrique da Silva Pereira, Jornalista
há 4 meses

Em qualquer site sobre Direito, os cidadãos querem saber de seus direitos. Quando algum operador de Direito edita artigo sobre impeachment, não faltam calorosos comentários; uns contra, outros a favor. Ideologias. Defensores de Ordem e Progresso exigem virtudes na política, pois estão cansados de 'ladrões'. O extraordinário disso tudo é que os políticos não vieram de Marte, muito menos de Júpiter, mas nasceram em solo brasileiro.

Na entoada de Ordem e Progresso, a bandeira brasileira está estampada em bonés, camisas. O sentimento de patriotismo se faz. Os defensores oradores, os patriotas (Ethos), entoam os conteúdos de seus discursos (Logos) para emocionar (Pathos) o público, de maneira que os defensores oradores consigam a aceitação pelos seus próprios argumentos racionais, lógicos (Logos).

O grandíssimo problema do Logos é que não há lógica nenhuma. Os defensores oradores, que se dizem realmente patriotas ( Ethos), apesar de conseguirem emocionar (Pathos) o público, não agem em defesa da própria Pólis (Estado Democrático de Direito). As atitudes cívicas dos bons cidadãos, na realidade, são aparentes: furtos de energia elétrica; fraude no processo de habilitação terrestre, nos vestibulares; racismos; discriminações. Ou seja, o individualismo.

Aristóteles dizia que a sociedade e a família são mais importantes que a individualidade. E no Mundo Líquido (Zygmunt Bauman) cada qual só pensa em si. É o "eu" e "eu" (infinitamente) antes de "nós". O consumismo, um Sagrado profano a preencher o vazio humano, e o marketing e a publicidade, símbolos para explicar a vida, como o ser humano deve viver e se comportar (mitologia), dão respostas prontas para a vida. Nesse Sagrado profano e nessa mitologia, os cidadãos pensam egoisticamente. Viver bem, então é acumular riquezas, é ter um status positivo interpretado pela mitologia, pois assim se alcança o Sagrado profano. A mitologia permite a sobrevivência da humanidade, pois representa vida (a nova deusa Gaia). A veneração aos novos deuses (status, riquezas, tecnologia, indumentárias etc.) necessita de rituais que esses deuses agem na vida humana.

Os rituais modernos, para conjurar os deuses, e conseguir felicidade e abundância, é a idolatria ao status, a necessidade de acúmulo de riquezas, de propriedades, o individualismo, os cânticos endossando o deus da religião mais perfeita, a aquisição de prosperidade material mediante oferendas e 'sacrifícios' (compra de objetos abençoados, como caneta, lenço etc.).

Como mortais, pois o ser humano teve consciência de sua condição orgânica, finita, tornou-se necessário um sentido da vida e da morte. Para viver bem é preciso saciar os instintos, mesmo que se faça uso de estimulantes. O momento da felicidade é esquecer da morte, do sofrimento, e tudo o que for possível para esquecê-los é gasto em energias momentâneas. Senda a vida um piscar de olhos, viver bem é gozar a vida (deixa a vida me levar; excitarei os meus sentidos físicos). O sentido da vida não é mais viver bem, mas simplesmente viver. Viver bem é péssimo, porque é monótono: é a simples conversa, o apreciar da natureza. O simples viver é viver pelos estímulos contínuos que excitam, que façam sair da monotonia diária. O viver bem (realidade) é o tormento; o simplesmente viver é não pensar sobre as próprias postura a si mesmo, aos demais cidadãos.

Os objetos sagrados (tecnologias), os locais sagrados (locais de status considerados positivos) oferecem oportunidades de sair do ordinário, a própria vida psíquica do ser humano — pois a vida intrapsíquica é cheia de superstições, de medos. Delimitam-se locais sagrados e objetos sagrados (empresas e suas mercadorias) para serem adorados. As ideologias políticas também são Sagrados profanos, sendo os mitos os símbolos (cores, objetos, brasões) e os rituais as canções, os confrontos físicos e verbais. O Sagrado profano, então, é separado da realidade humana, porque o ser humano considera que a realidade é brutal e, principalmente, não atende aos seus desejos.

No final, a Pólis não tem importância, muito menos a própria sociedade. Cada ser humano é um deus autossustentável, mas cada qual duela para ser o mais belo, o mais forte.

2 Comentários

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Excelente. Lúcido, como sempre.
Obrigada por escrever sempre, Sérgio! continuar lendo

Agora, que vi. Obrigado. Nada sei, mas tento. rsss continuar lendo