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21 de Outubro de 2020

Noticiários sobre crescimento econômico versus desenvolvimento econômico humanístico

Sérgio Henrique da Silva Pereira, Jornalista
há 3 anos

Noticiários sobre crescimento econômico, geralmente, transmitem algumas sensações de liberdade, de futuro promissor. Acionistas ávidos pelos resultados nas bolsas de valores, alguns sobrevivem pelo uso intercalado de ansiolítico e combinação de cafeína e teobromina. Se o coração não aguentar, um bom plano de saúde pode amenizar os estragos.

Há uma panaceia de que crescimento econômico garante desenvolvimento para todos os cidadãos. Se assim fosse, no Brasil, antes da Lei Áurea, os escravos estariam muitíssimo bem de vida. O mesmo se pode dizer no início do século XX durante o Bota Abaixo, no Rio de Janeiro, o qual derrubou os cortiços dos ex-escravos para modernização urbana, não contanto, claro, como os ex-escravos, já que foram morar no Morro da Providência; e o mesmo pode ser verificado durante o Rio 2016, quando os moradores da Vila Autódromo sofreram ações da modernização "Gringo para Ver". O prefeito Eduardo, na época, prometeu que todos os moradores permaneceriam, mas a promessa fora vazia, posteriormente.

Recentemente, o V. Ex.ª Michel Temer garantiu mais trabalho para os brasileiros, e na esteira do crescimento econômico, estrangeiros que aqui aportarem. O problema quanto à Reforma Trabalhista é coisificar, mais do que já é o trabalhador no Brasil, o ser humano proletariado — faço aqui explicação sobre ser proletariado: é todo trabalhador, seja com diploma universitário ou não, o qual não conseguiu reconhecimento pelo Mercado, pois é o mercado que dirá qual o profissional balizado.

Meritocracia. Palavra bonita, no Mundo das Ideias. Quando algum trabalhador se destacará no Mercado? Quando o trabalhador tiver boas qualidades profissionais. E quando essas qualidades profissionais serão notadas pelo Mercado? Quando patrões necessitarem dessas, ou de alguma, qualidades. E quando os patrões precisam de alguma qualidade? Quando há consumidores interessados no produto ou no serviço. Diante disso tudo, quando a sociedade se mostrará interessada? Quando o Estado garantir que algum produto ou serviço possa ser comercializado no território brasileiro. Ou seja, a meritocracia vai para o ralo quando não há liberdade para o meritocrático puder externar suas qualidades. Por exemplo, o caso do Uber, ou de qualquer outra prestadora de serviços eletrônicos na área do transporte privado urbano, que depende do aval do Estado para funcionar.

Então, a meritocracia somente existe sem a intromissão do Estado em querer regulamentar atividades comerciais? Exatamente. Assim, compreende que a meritocracia só existe quando não existir intromissão do Estado. Quanto mais livre for uma pessoa, para desempenhar qualquer atividade que queira, melhor será para o desenvolvimento econômico. Vontade de potência em trabalhar, mais vontade de potência para empreender. Contudo, no Mundo das Ideias tudo funciona bem. Todos são felizes, o empregador e o empregado, o fornecedor e o consumidor. Um Paraíso na Terra.

Grandes Negócios na História humana. Os romanos a.C. invadiram, dominaram mataram. Na esteira, sem ordem cronológica dos eventos, os Persas, os mongóis, os colonialistas, os imperialistas, as empresas norte-americanas etc., as quais negociaram com a Alemanha Nazista, o Holocausto de Holodomor. E o que dizer do crescimento econômico chinês, sempre acusado de aplicar o Benefício do Trabalho Escravo para o Crescimento Econômico (BTCE), graças aos investidores estrangeiros? Livre Mercado.

Brasil. Estrangeiro, aqui tem boas oportunidades para crescer economicamente. Grandes oportunidades de trabalho mediante:

  • Seu filho trabalhando para torrar castanha de caju;
  • Sua esposa bebendo em alguma embalagem qualquer a água não potável;
  • Sua idosa mãe costurando por mais de doze horas, com descanso mínimo conforme exigência do empregador;
  • Trabalho intermitente. Empresa necessitando de trabalhador para final de semana: hora laborada, R$ 4,30; sem direito ao vale transporte e ao ticket alimentação etc.;
  • Saúde Pública em ruínas;
  • Inferno nos transportes públicos: risco à saúde, pela sujidade cotidiana dentro dos transportes, pelo motorista que dirige como se fosse o último dia de sua vida, pelas más condições dos equipamentos obrigatórios veicular;
  • Pela especulação imobiliária moderna do Bota Abaixo;
  • Pelos juros altíssimos, maiores do Planeta Terra.

Seja bem-vindo!

E de quem é o problema do trabalho análogo ao escravo? De todos. Os consumidores devem pedir, através do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) explicações sobre como os produtos são produzidos, localidades, condições de ambiente laboral — e a possibilidade de os consumidores visitarem os locais de trabalho, ou pelo menos o consumidor, mesmo após o término do trabalho, perguntar aos trabalhadores sobre condições laborais. Sim, o consumidor também é responsável pelo trabalho análogo ao escravo. Quando não questionamento, há omissão. E omissão contradiz à norma contida no art. da CRFB de 1988. Ou seja, é todo um ciclo de maldade, da Máquina Antropofágica, para o Benefício do Consumismo da Alcova (BCA).

Na esteira do BCA, as leis brasileiras vão se liquidificando, de forma que todos sejam felizes. Por exemplo, a norma contida no art. 149 do CP; MAIS UMA NORMA DE PAPEL. Há justificativa de que a há muitos brasileiros na miséria, outros no limite entre miséria e mínimo existencial. Pela trajetória histórica brasileira, tudo foi feito para limitar alfabetização, ascensão socioeconômica. Tudo que há no Brasil é resultado da Má quina Antropofágica.

A maioria dos brasileiros são analfabetos funcionais. Muitos não completaram o ensino fundamental. O acesso à Universidades ficou um pouco mais fácil, o problema é terminar — xerox de apostilas, passagens, alimentação, disponibilidade de tempo para estudar, greves, intermináveis; tudo dificulta.

A vida não é conforme o querer do Homo Sapiens, porém, pela Máquina, muito pior fica; uma Máquina de Moer Pessoas. E, claro, ninguém quer ser moído. Advém, desse resultado, corrupções, malandragens em todas as classes sociais, em todos os cargos públicos. Uma país de malandros, malandragens e oportunidades escusas. Dizer que alguma pessoa terá o benefício de trabalhar, mesmo em condições insalubres, como agora é para a gestante, já que ela terá que provar que o local laboral pode trazer perigo à saúde dela e do feto, é dizer que a Máquina se aperfeiçoou — sua ideologia. Se a vida, antes da primeira metade do século XX, era uma benção de vivência além da Terra, após a segunda metade do século XX, a Vida Boa é consumir. Consumir em ter, em ostentar, em excitar os sentidos até desmaiar, ou morrer. Um niilismo sem conhecimento na História humana. Fala de forma mundial, não de forma limitada, como em Roma a.C.

Toda felicidade agora é está além de si, a viagem dos sonhos, a roupa dos sonhos, o automotor dos sonhos. Não há limites para alcançar o Sonho ao Eldorado. O devaneio ao Eldorado está na premissa de que alguém deve fazer o serviço insalubre e perigoso. Aí começam os acotovelamentos para não ser "moído" pela Máquina. Se a burocracia estatal favorece aos crimes diversos, sem a burocracia, conjuntamente, com a Vida Boa, sem limites, a vida será um momento potencializado. A dopamina e a serotonina, as substâncias do próprio corpo a exaurir, pelos excessos, a vitalidade da mente, do corpo. É um ciclo interminável de alcançar o Eldorado. Se não é possível viajar, comprar bens luxuosos, pelo menos os pirateados, as compulsões por comida. Enfim, a de se compensar, de alguma forma, a vontade de potência pelo Paraíso Terrestre, efêmero e transitório.

Se em outrora o ser humano valia como mera mercadoria à força de trabalho, contemporaneamente, o ser humano é considerado como digno de respeito, contudo, nos limites impostos por uma produção de valores consagrando a individualidade, o preço do reconhecimento da meritocracia. Por exemplo, se algum advogado for proficiente em sua profissão, mas não ganha muito dinheiro, porque defende quem tem poucas condições econômicas, u verdadeiro advogado dos pobres, sua meritocracia, possivelmente, não será reconhecida pelos holofotes da meritocracia de sucesso midiático e a meritocracia de sucesso pelos bens acumulados e disponíveis.

Interessante observar, no Brasil, que é mais fácil ter um celular com câmera do que conseguir uma moradia digna — infraestrutura com saneamento básico, água potável, acesso fácil ao transporte público etc. No entanto, tal privilégio não é somente do Brasil, outros países possibilitam aos seus cidadãos desfrutarem do modismo, enquanto moradia e saúde são vontades inalcançáveis. Uma produção de alienações sobre Vida Boa.

Desenvolvimento econômico humanístico é a capacidade de o proletariado se desenvolver, pela meritocracia, e ir além da aparência de obter qualidade de vida. Qualidade de vida é bem-estar físico, emocional e psíquico. Para isso, é necessário que o proletariado tenha, principalmente, condições de ter sua moradia própria, em local seguro, com infraestrutura. Não se trata de ter residência com dez quartos, muito menos moradia Labirinto de Rato. Não adiante ter condução própria quando horas e horas são perdidas nos caóticos trânsito, o transporte público deve ser priorizado, porém de forma eficiente e seguro.

Em alguns sites, promessas de ficar rico sem trabalhar. E quem vai extrair os minerários, transportá-los, beneficiá-los? No Mundo das Ideias, a Lâmpada de Aladim, é só pedir ao gênio: smartphone, água potável, tijolo, armário, televisão, indumentárias, alimentos nos supermercados. Pediu, materializou. Não há mão de obra, não há suor, não há fadiga, não há Medicina do Trabalho, não há nada. Tudo existe porque existe, tudo existe pela força criadora do gênio.

Todavia, o século XXI promete que a maioria das extrações, das transformações dos materiais e os meios de transporte serão automatizados, nada do ser humano. Assim, a mão de obra do proletariado não será mais necessária. Não sendo necessária, qual será o seu fim? Talvez se constroem muralhas para separar os indesejáveis dos meritocráticos. Os indesejáveis são os que não detêm os meios de produção. Os meritocráticos, os que conseguiram os meios de produção. Abaixo dos possuidores dos meios de produção, os que apresentam alguma qualidade aos interesses dos próprios detentores. Por exemplo, contemporaneamente, para ser balizado profissional é necessário mestrado e/ou doutorado. Mera conclusão universitário não satisfaz o exigente mercado de trabalho. Contudo, a especialização esperada não tem nada a ver com o que o Mercado pede. Por exemplo, formação em bacharel em Direito. São cinco anos de estudos. Após conclusão, mais alguns para obter mestrado ou doutorado. Um proficiente profissional irá atuar em única carreira, seja cível, criminal, consumerista etc., para se destacar. Ora, por que não ter uma formação direcionada para a área de atuação escolhida pelo cidadão antes de ingressar numa universidade? É o curso tecnológico capaz de desburocratizar o processo de formação profissional. Assim, caso algum cidadão quiser fazer curso universitário, por exemplo, na área penal, bastariam as seguintes matérias: português; Direito Constitucional; e Direito Penal. Quer atuar em Direito de Família? Curso tecnológico cujas disciplinas são: português; Direito Constitucional e Direito de Família. Não há necessidade de estudar todo o Código Civil. E assim por diante.

No entanto, quanto ao Direito, a Tecnologia da Informação (TI) poderá dispensar advogados. Explico. O que três ou mais advogados fariam, para defender uma empresa de grande porte, um programa computacional poderia fazer o mesmo, em tempo hábil, somente exigindo único advogado. E os outros dois advogados? Bom, dispensabilidade imediata. E quanto aos motoristas, sejam eles de táxis ou de aplicativos? Necessários, enquanto não existir, de forma atuante e infalível, o veículo sem ser humano. Nesse diapasão, a probabilidade de universitários trabalhando no comércio, sejam como empregadores ou empregados, aumentará, principalmente na área de alimentação, já que ainda não tem robô para servir. E depois disso?

O Capitalismo tem como se adaptar. Não falo do Capitalismo EUA versus URSS, como os defensores do Muro de Berlim ainda defendem. O Capitalismo, tanto faz se direita ou esquerda, ou extremos, pela Máquina Antropofágica, sempre existirá. resta saber, se a dignidade humana conseguirá vencer este dragão de sete cabeças.


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