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18 de Outubro de 2019

Jair Bolsonaro, Maria Silva e Cabo Daciolo. Estado religião ou Estado laico?

Sérgio Henrique da Silva Pereira, Jornalista
ano passado

O primeiro debate entre os presidenciáveis foi na Band TV! , os candidatos à Presidência da República em 2018 foram: Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonato (PSL) e Marina Silva (Rede).

Um novo futuro está nas mãos dos presidenciáveis, cada qual com suas ideologias, outros com a mesma ideologia seja liberal ou socialista. Os soberanos (art. , parágrafo único da CRFB de 1988) escolherão o governante da República; este acumula as funções de chefe de Governo (chefia do Poder Executivo) e chefe de Estado (representante diplomático). No sistema presidencialismo, o presidente da República não se submete à vontade do Parlamento, como acontece no Parlamentarismo.

Desde a promulgação da Carta Humanística, a CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988, muitos cidadãos, defendendo os utilitarismos "Pátria ou ponta de baioneta", "Fé ou Fogueira Santa", "Mulher relativamente capaz", alusão ao Código Civil de 1916, "Heterossexual ou perseguição", contra a homossexualidade, "Chicote no lombo ou trabalho", escravidão negra, "Judaico-cristão ou banimento", intolerância religiosa, "Cidadãos etiquetados", seletividade penal, não admitiram mudanças, profundas, na cultura brasileira. "Velhas Rundles", como diria Gilberte Freire (FREYRE, Gilberto. Tempo morto e outros tempos. Trechos de um diário de adolescência e primeira mocidade 1915-1930. Apresentação de Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke Biobibliografia de Edson Nery da Fonseca. 1ª edição digital. São Paulo. 2012), saudosistas da Vida Boa comunal utilitarista.

As redes sociais, para poucos brasileiros, no início dos anos de 1990 e início de 2000, asseguraram criações de comunidades desabonando certos brasileiros considerados párias da sociedade. No extinto Orkut, comunidades contra nordestinos, e outras, demonstrando o utilitarismo "inferior e superior". A comunidade A Minha é Federal discriminava os alunos das universidades privadas, por estes não terem "capacidades intelectuais".

Assuntos importantes estão sendo debatidos no Brasil:

  • Aborto legal — o direito de a mulher, pela sua autopossessão e autonomia da vontade, abortar seja embrião ou feto, independentemente da condição genética, presença de doença ou não;
  • Descriminalização das drogas ilícitas — total ou parcial. Na parcial, a descriminalização da maconha;
  • Economia — fim ou manutenção do Estado social. Todas as afirmações afirmativas criadas desde 1990 seriam extintas, a inciativa privada cuidaria, cada qual decidiria (solidariedade), pelo bem-estar dos brasileiros no patamar miséria ou entre os patamares miséria e mínimo existencial. Há a ala radical que pede o fim do Código de Defesa do Consumidor e Consolidação das Leis Trabalhista. Para os radicais anticomunistas, negociações com Cuba, Venezuela e Rússia seriam inviáveis. Para os libertários, não importa se comunista ou não, o que vale é o livre mercado;
  • Casamento — o Estado deve ou não permitir o casamento gay e poliafetivo;
  • Adoção — o Estado deve ou não permitir adoção de crianças por casais LGBTs;
  • Fornecedor e consumidor — direito de o lojista não vender mercadoria para pessoas contrárias a ideologia do próprio lojista. Por exemplo, lojista acredita que não deve ter casamento gay, por isso, não vende sua mercadoria para casal gay;
  • Religião oficial na comuna brasileira — somente tradição judaico-cristã, dentro e fora das residências, das instituições de ensino, ou possibilidade de outras religiões se manifestarem dentro e fora das residências, das instituições de ensino;
  • "Cura gay" — LGBTs poderem ser acompanhados por psicólogos para deixarem de ser LGBTs;
  • Brasil, Um País Sem Excelências e Mordomias ou Um País Com Excelências e Mordomias — desde que o livro da jornalista Claudia Wallin foi publicado no Brasil, muitos brasileiros entenderam que no Brasil os agentes políticos têm mordomias dignas de Luís XIV. Outros brasileiros consideram que caso o candidato defendendo o tipo de ideologia ou filosofia deve ganhar como Luíz XIV. O maior salário para quem dá o maior prazer, utilitário.
  • Estado liberal — o Estado somente cuidaria da segurança pública, do direito à propriedade, coibiria os excessos. Contudo, como ficaria o pacta sunt servanda, algo como Mercador de Veneza? Ainda há várias discussões, entre operadores de Direito, sobre aplicação da pacta sunt servanda e do rebus sic stantibus. Seria possível, por exemplo, ressarcimento por danos ao consumidor quanto ao Ford Pinto explodindo por falta de protetor do tanque de combustível ou nenhuma indenização do fornecedor ao consumidor pelo custo-benefício de garantir otimização de felicidade em possuir automóvel?
  • Estado social — Estado presente, defendendo consumidores e trabalhadores contra fornecedores (má-fé); Estado garantindo prestações de serviços públicos, eficientes.

Questões importantes.

Abaixo, vídeos de alguns presidenciáveis. Antes, um vídeo de alerta:

Agora, vídeos do debate que ocorreu na Band TV!

O Brasil é tradicionalmente católico, desde 1500. Com a Carta Humanística de 1988, "tradição" judaico-cristã. Antes de 1988, dizer que era evangélico (a) era sentença de ironia por parte dos católicos, não todos. Antes da DECLARAÇÃO NOSTRA AETATE, séculos de antijudaísmo. Os judeus eram 'impuros', 'assassinos de Jesus' etc. Sobre ética:

COMPREENSÃO SOBRE ÉTICA

Sobre 'ser ético':

Ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três grandes questões da vida: (1) quero?; (2) devo?; (3) posso?
Nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve. (Mario Sérgio Cortella)

Irei analisar cada período humana e os tipos de éticas. Três exemplos de ética:

1) Império Romano (27 a.C. - 476 d.C.), dois cidadãos romanos:

(1) quero?

(2) devo?

(3) posso?

Quero queimar um cristão?
Devo? Sim!
Posso? Posso!

Para os romanos (a.C.), queimar ou jogar cristão aos leões: diversão, prazer, agir 'corretamente'.

2) Dois cristãos, dentro dos muros da Cidade de Roma Antiga:

(1) quero?

(2) devo?

(3) posso?

Quero queimar um romano?
Devo? Não!
Posso? Não!

Os primeiros cristãos aplicavam, ao pé da letra, os ensinamentos de Jesus de Nazaré. Por mais que o ódio surgia, nos pensamentos e nos sentimentos, ao ver romanos rindo de cristãos devorados pelas veras, Cristo, por meio de Jesus, ensinou 'perdão', 'amor', 'todos são ignorantes', 'pegue a sua cruz' etc. Não havia dualismo: ou cristão, ou Barrabás.

3) Dois católicos, na Idade Média:

(1) quero?;

(2) devo?

(3) posso?

Quero chamar um judeu de assassino?
Devo? Sim!
Posso? Sim!

A Nova Ética, mundial, os Direitos Humanos. Com as Guerras Mundial, Primeira e Segunda, a humanidade, o Homo Sapiens Sapiens Conflictus, "entendeu" sobre a necessidade de reforça o verniz civilizatório, capaz de impedir banalidades do mal. Várias Constituição tiveram que ser adaptar aos Tratados e Convenções Internacionais de Direitos Humanos. Países signatários, como Argentina e Brasil, adaptaram-se à realidade da Nova Ética. Essa Nova Ética, mundial, constantemente é chancelada de Nova Ordem Mundial, como se a humanidade estivesse sob ameaça, dos comunistas, dos iluminatis, dos maçons, de qualquer ideologia ou filosofia não judaico-cristã. A Organização das Nações Unidas (ONU) é acusada de ser comunista. Se assim for, os judeus que ocupam parte da Palestina devem sair do território, pois a ONU assentou os judeus após a Segunda Guerra Mundial. Para qual local irão os judeus? Dificilmente para algum local desta Terra Conturbada. Recentemente, venezuelanos foram atacados por brasileiros. Mesmo que algum venezuelano tenha atacado algum brasileiro, a vingança de sangue é crime. E o Brasil existe pela miscigenação.

A dinâmica da política

Sociedade e comunidade. Mesmo nas divergências entre as diversas comunidades que compõem a sociedade, existem momentos, de associações, negociações, coalizões. Exemplo de política, coalizões partidárias, coalizões entre parlamentares, no Brasil:

Católico, protestante, ateu e candomblecista. Católicos e protestantes são contra os sacrifícios de animais durante os rituais do candomblé. O ateu é ambientalista, defende a dignidade dos animais não humanos, sendo a morte de qualquer desses animais, até para consumo humano, violação da dignidade do animal não humano. O ateu promove campanha contra o sacrifício de animais não humanos para os rituais do candomblé. Católicos e protestantes aproveitam a inciativa do ateu para propor Projeto de Lei contra sacrifícios de animais não humanos em rituais candomblecistas. Projeto aprovado, proibição de sacrifício. O mesmo ateu, após o projeto, propõe, por projeto de lei, proibição de qualquer símbolo católico nas repartições públicas. Os protestantes, então, aproveitam para fortalecerem suas campanhas contra os símbolos católicos. Inciativa popular aprovada, os protestantes conseguiram materializar um dos seus propósitos. Outra inciativa popular, também criada pelo mesmo ateu, contra a intromissão das religiões na questão do aborto. Católicos e protestantes, apesar de algumas diferenças, unem-se contra o ateu. Algum cidadão vê oportunidade de se candidatar para deputado federal. Abraçará e defenderá o ateu e sua Inciativa. Eleições, votações e o cidadão candidato consegue vitória nas urnas. Alguns meses depois, o mesmo ateu propõe que os agentes públicos, principalmente os políticos, tenham as mesmas vantagens dos agentes na Suécia, ou seja, todas as mordomias presentes aos agentes brasileiros serão extintas. Outro deputado, não satisfeito, irá articular com outros deputados, para a manutenção das vantagens. Esse deputado negocia com católicos e protestantes. Acordo: os deputados, católico e protestante, apoiam o nobre deputado em sua causa, enquanto este apoiar os religiosos para criação de Emenda Constitucional proibindo qualquer tipo de aborto.

Patriotismo versus Direitos Humanos

Na entoada de Ordem e Progresso, a bandeira brasileira está estampada em bonés, camisas. O sentimento de patriotismo se faz. Os defensores oradores, os patriotas (Ethos), entoam os conteúdos de seus discursos (Logos) para emocionar (Pathos) o público, de maneira que os defensores oradores consigam a aceitação pelos seus próprios argumentos racionais, lógicos (Logos). O grandíssimo problema do Logos é que não há lógica nenhuma. Os defensores oradores, que se dizem realmente patriotas (Ethos), apesar de conseguirem emocionar (Pathos) o público, não agem em defesa da própria Polis (Estado Democrático de Direito). As atitudes cívicas dos bons cidadãos, na realidade, são aparentes: furtos de energia elétrica; fraude no processo de habilitação terrestre, nos vestibulares; racismos; discriminações. Ou seja, o individualismo.

Na entoada de autonomia da vontade e autopossessão, acusações de "fascista" e "nazista", enquanto se praticam crimes, como de corrupção e, menos considerável, pela seletividade cultural, a imoralidade pública. A corrupção, como a improbidade administrativa, foi muito invocada nas eleições de 2014. Candidatos "Ficha Limpa", sem condenação por improbidade administrativa, suplicavam aos eleitores "moralidade" aos candidatos: votar somente em quem não "roubou" o povo. Moralidade administrativa no Brasil nunca foi o forte na política. O que é moralidade administrativa?

A professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro lesiona:

"Não é preciso penetrar na intenção do agente, porque do próprio objeto resulta a imoralidade. Isto ocorre quando o conteúdo de determinado ato contrariar o senso comum de honestidade, retidão, equilíbrio, justiça, respeito à dignidade do ser humano, à boa fé, ao trabalho, à ética das instituições. A moralidade exige proporcionalidade entre os meios e os fins a atingir; entre os sacrifícios impostos à maioria dos cidadãos. Por isso mesmo, a imoralidade salta aos olhos quando a Administração Pública é pródiga em despesas legais, porém inúteis, como propaganda ou mordomia, quando a população precisa de assistência médica, alimentação, moradia, segurança, educação, isso sem falar no mínimo indispensável à existência digna." (ALBURQUERQUE, Eric Samanho de. Direito Administrativo / Eric Samanho de Alburquerque — Brasília : Fortium 2008.

Um País Sem Mordomias e Excelências, na Suécia; Um País Com Mordomias e Excelências, no Brasil. Qual país tem mais miseráveis? Qual país cuida dos interesses de todos os nacionais? Quais soberanos, do Brasil ou da Suécia, não querem agentes políticos "O Estado sou Eu"? Para clarear, por exemplo, o aumento do Teto Máximo do Funcionalismo Público (art. 37, XI, da CRFB de 1988) proposto, em meio aos milhões de brasileiros no patamar miséria, ou entre miséria e mínimo existencial, diante das realidades das "prisões masmorras" brasileiras, instituições educacionais públicas "sem professor, sem merenda e sem instalações seguros", qual a intenção dos magistrados ao aumento de seus salários (subsídios)? Mais além, quais as intenções, a qualidade do motivo de tanta mordomia e excelência para os agentes ocupantes de cargos eletivos?

O que responderia Immanuel Kant?

"O que torna uma ação moralmente valiosa não consiste nas consequências ou nos resultados que dela fluem. O que torna uma ação moralmente valiosa tem a ver com o motivo, com a qualidade da vontade, com a intenção, com as quais a ação é executada. O importante é a intenção."

O aumento do Teto é uma ação moralmente valiosa para o Brasil? As mordomias aos agentes ocupantes de cargos eletivos são moralmente valiosas? Será que os objetivos da República brasileira, quanto qualidade da vontade e intenção, dos Ministros do STF e dos agentes ocupantes de cargos eletivos, são moralmente valiosas?

Há uma ditadura da minoria. Isso representa que mulheres, LGBTs, povos indígenas, nordestinos e pessoas com necessidades especiais estão coagindo a maioria (utilitarismos anteriores à CRFF de 1988).

[Do lat. dictatura.]
S. f.
1. Forma de governo em que todos os poderes se enfeixam nas mãos dum indivíduo, dum grupo, duma assembleia, dum partido, ou duma classe.
[Cf. democracia (2).]
2. Qualquer regime de governo que cerceia ou suprime as liberdades individuais.
3. Fig. Excesso de autoridade; despotismo, tirania.
u Ditadura do proletariado.
1. Regime político, social e econômico desenvolvido teórica e praticamente por Lenin (v. leninismo), e que se baseia no poder absoluto da classe operária, como primeira etapa na construção do comunismo. (Dicionário Aurélio Século XXI)

Numa democracia, embasada nos Direitos Humanos, a possibilidade de autonomia da vontade e autopossessão, sem que tais direitos, jamais absolutos, violem direitos alheios. Porém, até em que momento é possível dizer "este está acima daquele" direito? Por exemplo, a Lei Maria da Penha. Quando promulgada, operadores de Direito, pessoas do povo, parlamentares, alguns contra, outros não. Técnica de Ponderação ou Técnica de Sopesamento, a Lei Maria da Penha, pelos séculos de indignidade às mulheres, pelo utilitarismo machista, trouxe dignidade, e proteção, às mulheres.

"Direitos Humanos defendem bandidos", "A sociedade, as pessoas de bem, está acuada". A CRFB de 1988, em si mesma, como ser imaterial, não tem poder de impedir que as pessoas cometam delitos; com certeza, a CRFB de 1988 pode condenar o autor. O problema não está na CRFB de 1988. Sendo imaterial, a sua essência depende, exclusivamente, dos seres humanos, os próprios brasileiros. A materialização de sua essência depende dos brasileiros, de todos os brasileiros.

Bons cidadãos versus bandidos. Cifra negra.

Quantos, "bons cidadãos", cometem crime ou contravenção penal, e não são flagrados por nenhuma autoridade pública, não foram parar nas mídias?

Diariamente, os "bons cidadãos" cometem, alguns exemplos: furto de energia elétrica e água canalizada; fraudes, no processo de habilitação de trânsito, no Enem, nos concursos públicos, nas provas da Ordem dos Advogados; clonam automotores e placas; conduzem veículos com permissão ou habilitação cassadas; jogam lixos pelas janelas de suas residências. A lista é, demasiadamente, longa.

Esses "patriotas' reclamam das instituições democráticas, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ministério Público (MP), Defensoria Pública (DF), quando defendem as minorias (LGBT, mulheres heterossexuais, pessoas com necessidades específicas, afrodescendentes, indivíduos cujas crenças não são judaico-cristã), párias esquecidos pelo Estado, de darwinista social e de eugenia. Não são minorias no sentido de quantidade, contudo, minorias na acepção de que não tiveram todos os seus direitos humanos garantidos, formal e materialmente.

Tem muito" cidadão bom "— mais uma vez a cifra negra— comercializando drogas, ilícitas, em condomínios de luxo, em festas para convidados Vips, nas academias, outros cometem pedofilia justificando" consentimento ", a Filosofia Libertária da Alcova. Se as polícias, militar, Civil e Federal, e as Forças Armadas forem nesses lugares, os" patriotas' se sentirão "violados" em suas dignidades; exigirão seus direitos humanos (arts. , III, e , X, XLIX, LXIII, §§ 2º e , da CRFB de 1988) e, como "bons cidadãos", ainda quererão processar — art. 146, do CP — os truculentos, os soldados do Estado absolutista. O Estado age com totalitarismo.

Esses mesmos patriotas são, na realidade, utilitários "caça sexualidade". Vangloriam Polícias e Forças Armadas. No entanto, se algum policial ou soldado de alguma das Forças Armadas não se identificarem como tais, em seus perfis, nas redes sociais, e colocarem imagens deles e de seus namorados, como casais gays, os patriotas digitarão "heresia", "bicha doente". Se for negro, sem se identificar como policial, poderá ser chamado de "macaco". Se for tenente, sexo biólogo feminino do Exército, sem se identificar como tal, caso a "defensora da pátria" beijar sua namorada na boca, em praça pública, correrá o risco de ela ser apedrejada junto com sua namorada. De "defensora da pátria", uma "pervertida", uma "ovelha negra", maculando a amada pátria brasileira. Esse mesmo "patriotismo" existe desde 1891.

Na realidade, não se trata de patriotismo, pois, patriota, age em conformidade com a Constituição Federal, não por ideologias nacionalistas. Se a CRFB de 1988 for revogada, por um novo Poder Constituinte Originário, é possível materializar todos os costumes anteriores a 1988? Não, pois os Direitos Humanos (direitos civil, político, econômico, cultural e social) foram incorporados, quase, em todos os lugares, e a internet possibilitou, pela liberdade de expressão, o conhecimento desses Direitos. Profunda mudança no modo de vida do Homo Sapiens Sapiens Conflictus. Uma "Primavera Árabe" mundial.

Conquanto os nacionalistas queiram o retrocesso, minorias caladas e serviçais, a força dos Direitos Humanos não está nas letras impressas e nas fontes digitadas; os Direitos Humanos estão na essência humana, por mais que existam seres humanos egoístas, cruéis. Basta, para despertar essa força latente, a deliberação. A razão elucida, a emoção, do amor universal, completa.

Guerras entre facções, entre traficantes de drogas. O poder de suas armas, compradas pelos dinheiros dos consumidores. O poder do tráfico, pelos descasos dos administradores públicos, pela ideologia, secular, brasileira, de apartheid, disfarçado. Pelos consumidores e pelos descasos dos governantes, principalmente àqueles pós-golpe militar (1964 a 1985) o tráfico virou potência bélica. Aos moradores de tais lugares, dominados pelos traficantes, o suportar da dor, dos menosprezos dos concidadãos "patriotas". Quando os projéteis das metralhadoras dos traficantes alcançaram os moradores dos "asfaltos" — moradores fora das favelas —, estes pediram "justiça". Numa traição, de bons consumidores à "mata bandido", os vendedores de drogas ilícitas sentiram o sadismo de seus potenciais consumidores de drogas. Nos anos de 1960 e 1970, as classes média alta e alta consumiram toneladas de cocaína, enriquecendo os cofres dos traficantes; a modesta classe média, pelo consumo de maconha. Policiais probos, então, tentavam conter o consumo de drogas ilícitas, contudo, os cidadãos de bem enfraqueciam os ânimos destes policias. Se não bastassem os cidadãos de bem, os policiais ímprobos ainda mais retiravam o pouco de esperança dos policiais probos. Por que "cidadãos de bem"? Seletividade penal. Cidadãos que não cometiam roubo ou furto, mas financiavam o tráfico de drogas, pelo consumo. Sem visibilidade, pela mídia, ou através de "engavetamentos" nas Delegacias, por amizades ou pagamentos, os "bons cidadãos" consumiam-nas. Pela visibilidade, traficantes eram "maus cidadãos"; e deveriam ser condenados. Se verificarmos o "criminoso nato", de Cesare Lombroso, aplicado nos séculos XIX e XX, no Brasil, a seletividade reinante: o "centro do mal" estava nas favelas. Acesso à Justiça, antes de 1988, para poucos, com substancial dinheiro em mãos. Como todo Homo Sapiens Sapiens Conflictus, o poder adormece os sentidos, a fragilidade humana. Os traficantes não protegem mais as comunidades, o poder pelo poder, custe o que custar. Contemporaneamente, infelizmente, as Forças Armadas tentam dar segurança, para os párias moradores de favelas, e para os moradores, potenciais consumidores, de drogas ilícitas. A morte, então, transforma-se num espetáculo sádico, para os traficantes, ao verem policial morto, para os policiais, ao verem traficantes mortos. Ao "bom cidadão", o que não mata, não furta e não rouba, contudo, consome tais drogas, a projeção: matar o destruidor de vidas humanas. Em síntese, não importa qual classe social consome, pois todas consomem. Importa, o prazer pessoal está acima da coletividade? É hora de pensar sobre "financiar o tráfico".

Alguns fatos históricos de "nós" (utilitarismo), em defesa da paz, da ordem:

  • O massacre de 400 índios Sioux pelas tropas norte-americanas, em 1890. A maioria dos índios exterminados (genocídio) era composta, principalmente, por mulheres e crianças;
  • As "mulheres de alívio" ou de "conforto", na Segunda Guerra Mundial. Soldados japoneses raptavam coreanas e chinesas para servirem como escravas sexuais deles;
  • As primeiras cotas raciais nos EUA e a perseguição dos "superiores brancos" aos afrodescendentes;
  • O darwinismo social que possibilitou a Apartheid na África imposta pela minoria branca até 1994;
  • Os conservadores (tradicionalista ou contrarrevolucionário) contra a Revolução Francesa;
  • Os Czares contra a Revolução Russa de 1917;
  • Os combates aos primeiros movimentos feministas nos EUA, na década de 1960;
  • Os combates ao psicanalista Sigmund Freud por ser considerado "pervertido";
  • Enforcamentos de negros nas praças públicas, nos EUA, até os anos de 1940;
  • Castração química ou prisão, para os gays, na Inglaterra. A castração química foi aplicada até os anos de 1970;
  • O Holocausto de Holonodor, na URSS;
  • O Holocausto de Barbacena, no Brasil;
  • O repúdio brasileiro quanto às cotas raciais e a Lei Maria da Penha;
  • O livre mercado durante a Segunda Guerra Mundial. Empresas dos EUA negociando com os nazistas. O Brasil não ficou de fora (Alemanha de Hitler foi principal parceira do Brasil de Getúlio)

Que tipo de Brasil todos os brasileiros querem? A desigualdade social reinante? Estado servindo aos interesses de poucos brasileiros? "Não ao aborto", por quê? Uma vida perdida, assassinada? E quando essa vida vinga, pelo parto, qual o futuro dessa vida? Quantas crianças moradoras de rua existem? Quantas crianças passam fome nos sertões? Quantas crianças morriam e morrem por doenças causadas pela má qualidade da água? Por que deixá-las nascer? Gerar uma nova vida, para vir à luz da sociedade brasileira, aprender ódio, revoltas, caças às bruxas, aos comunistas, aos capitalistas, às crenças? O problema não está na frágil vida, mas na durezas e espinhosas ideologias. Ares, deus da guerra, da mitologia grega, sorri.

A democracia ateniense, quem quer? Se você for um pensador, por si mesmo, cicuta beberá, como Sócrates bebeu. Guerreiros espartanos, fortes, audaciosos, patriotas. Bom para a democracia brasileira, clones! Ah! Eram gays. Gay, uma figura estereotipada de "frágil", "medroso", "doente", pela cultura dos másculos heterossexuais. Mulher, ser frágil, uma "costela de Adão. Os temas — aborto, educação sexual nas instituições de ensino etc. — devem ser analisados pela razão; razão não é" desligar "os sentimentos. Razão e sentimento podem coexistir. Sem razão, o sentimento de fanatismo; sem sentimento, a outra vida nada vale, como fizeram os nazistas e tantos outros povos. Hitler, personificação de cada alma no mundo, mundo de darwinismo social e eugenia, Impérios, colonizações. A democracia humanística não tem culpa pelo caos. Não é perfeita, depende de reconhecimento, de cada cidadão, às obrigações cívicas. Todo filosofia e crença têm seus espinhos e sedosas folhas. A flor de Lótus nasce no pântano, mas não perde sua beleza. Qual tipo de país que os próprios brasileiros querem? Discórdias, xenofobias, homofobias, e tantas outras fobias, ou um país que tem um pouco de cada religião e filosofia? A Nova Ética neste início de século é: dignidade humana; solidariedade entre todos os povos; solidariedade ajuda aos cidadãos vivendo no patamar miséria ou no patamar entre miséria e mínimo existencial; avida dos seres humanos acima dos valores do Mercado; a vida dos animais não humanos não determinada pelos estômagos, pelas ganâncias dos animais humanos. Será possível este utópico Brasil? Acredito que não! Finlândia, Suécia, Suíça, Japão, alguns países que podemos nos espelhar, sem, contudo, descuidar da realidade brasileira. Não é possível absorver horas e horas de trabalhos dos japoneses, muitos ficam doentes ou se suicidam pelos excessos de trabalho. Podemos absorver a valorização dos italianos aos trabalhadores, duas horas de almoço, décimo terceiro salário, licença-maternidade etc. Podemos absorver o valor do ser humano no Sistema de Saúde, no Canadá, na França. Podemos absorver os valores dos EUA quanto aos imigrantes, estes desenvolvem o país. Olhar tão somente para o mal, em qualquer país, contínuo aperfeiçoamento da Máquina Antropofágica. Cada religião tem sua semente fértil, basta encontrar o solo também fértil. A intolerância religiosa é retrocesso aos tempos das Guerras Religiosas. Matar bandido, solução. Para quem? Pelos utilitarismos no Brasil, o Estado sempre matou, os subversivos, à começar pelos movimentos sociais exigindo seus direitos civis e políticos, como os ex-escravos. É certo, e quase palpável, a dor de um familiar diante de familiar morto pela banalidade do mal, o roubo seguido de morte (latrocínio); a vida nada vale, impera a Alcova. Para a mãe de um presidiários, a dor, quase palpável, de ver seu filho morto por outra facção. De seu ventre, nove meses de dor, dor física do parto; após o parto, anos de dor, por seu filho criança não nascer em ambiente sem guerras entre policiais e traficantes, policiais e milicianos, milicianos e traficantes. Pior para essa mãe brasileira, discriminações quanto à sua etnia. Neste ambiente social, a banalidade do mal governa os ânimos. Matar, a normose brasileira.

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