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22 de Fevereiro de 2020

13° salário e 13° Bolsa Família. Leia este artigo antes. Gastar ou investir?

Investir é razão. Gastar é impulso, pulsão, status. Às vezes, o ato de gastar é uma necessidade em decorrência de imprevistos como força maior.

Sérgio Henrique da Silva Pereira, Jornalista
há 4 meses


"Dinheiro na mão é vendaval...".

O atual governo federal criou o 13º Bolsa Família. O 13º salário foi instituído pela Lei 4.090, de 13/07/1962.

Geralmente, o 13º salário serve para pagar dívidas, poucos se dão só luxo de depositar, integralmente, na conta poupança, ou fazer outro investimento.

O 13º Bolsa Família é imensa ajuda para os milhões de brasileiros que vivem com o mínimo existencial.

Em ambos os casos, as persuasões mas publicidades fazem com que os consumidores comprem sem pensarem no futuro.

Quem está vivendo no "vermelho", milhões de brasileiros, quer, ao mesmo tempo, ter bens móveis da moda e suprir às necessidades básicas, como consumir alimentos saudáveis. Neste, infelizmente, o luxo. Os alimentos processados e ultraprocessados, como biscoitos, macarrões instantâneos etc., fazem parte dos cardápios de milhões de brasileiros. Tais produtos são baratos e práticos. Alimentos "in natura" são caros, necessitam de tempo de preparo, água, gás.

Há os processos e ultraprocessados mais caros, como lasanhas, feijoada etc., sendo consumidos por poucos. E há os alimentos "in natura", processados e ultraprocessados considerados "artigos de luxo"; são para pouquíssimos brasileiros.

O que é necessário ou supérfluo? Celular é supérfluo? Depende. Celulares atuais são municipais minicomputadores capazes, através dos aplicativos: criar textos, planilhas; enviar e receber mensagens instantâneas; pais podem monitorar seus filhos pelo GPS; empresas podem oferecer aos desempregados um "bico" (trabalho sem CTPS assinada). Enfim, oportunidades, funções úteis.

Isso faz pensar sobre a importância do celular contemporaneamente. Para ligações, os proprietários dos respectivos celulares (smartphones) necessitam ter créditos. Pela resolução das Anatel, os créditos pré-pagos têm validade (Anatel - Agência Nacional de Telecomunicações - Validade dos créditos https://www.anatel.gov.br/consumidor/telefonia-celular/direitos/validade-dos-creditos).

Há discussões sobre validade e interrupção total do serviço de telecomunicação por falta de recarga (Anatel - Agência Nacional de Telecomunicações - Suspensão do serviço por falta de pagamento Agência Nacional de Telecomunicações Anatel - Agência Nacional de Telecomunicações - Suspensão do serviço por falta de pagamento https://www.anatel.gov.br/consumidor/telefonia-celular/direitos/suspensao-do-servico-por-falta-de-pa...).

Luz, água e gás são serviços essenciais. Sem luz, água e gás, comente uma pessoa viveria com qualidade de vida, pois, mesmo vivendo da caridade alheia, não tem autonomia para usufruir quando quiser. O Estado social (art. , da Constituição Federal de 1988), faz com que o Estado supra às necessidades dos cidadãos desprovidos dos serviços públicos, por, geralmente, não ter como pagar por tais serviços seja por estar desempregado, o trabalho informal não dá condições de arcar com os gatos com IPTU, gás, luz, água, alimentação, vestuário.

O Estado, por intermédio de ideologias racistas e preconceituosas, não permitiu aos párias de terem condições de ascenderem na educação, de classe social e economicamente. A exclusão social e as desigualdades sociais como consequências.

O celular e o serviço público de telecomunicação. Quando o serviço está totalmente cancelado, não há possibilidade de efetuar qualquer ligação, muito menos para serviços de emergência como Polícia (190), Bombeiros (193) etc. Se tais serviços são disponibilizados para todos os cidadãos, como, no caso de cancelamento, algum cidadão poderá acionar algum serviço público em caso de emergência? Sim, a prestação está condicionada pelo poder econômico para comprar créditos.

Há celulares antigos. O chip antigo, o Sim, é grande para os padrões atuais, microSim e nanoSim. Fora de padrão, caso haja crédito, o sinal pelo Sim funciona e o usuário pode fazer ligações. Considero arbitrário dar limites para o uso dos créditos. Imagine se os bancos aderem, o consumidor somente pode movimentar sua conta caso tenha crédito para pagar todas as taxas, nada de "cesta básica". Sendo os serviços de emergência essenciais, condicionar o funcionamento por intermédio de crédito é antidemocrático.

Algum morador de rua tem um celular bem antigo, com SIM. Preserva com carinho, pois faz recordar dos bons tempos. Ele passa mal, está debaixo de um viaduto, a sua residência "permanente". Sem poder ligar para o serviço público (SAMU), provavelmente ali morrerá.

Se o celular é usado para negócios, a limitação de tempo disponível dos créditos é outro empecilho para a dignidade de quem usa o serviço. Estou me referindo ao pré-pago. São poucos usuários de pós-pago, por ser caro, exigir fidelidade, ter multa contratual.

Em tempos de crise econômica, a limitação de tempo para o uso dos créditos é arbitrária. Por exemplo, quem trabalha com aplicativo não tem nenhum vínculo empregatício. Depende do sinal ativo para visualizar entregas. Ser autônomo, no caso de entregador de aplicativo, é pagar pelo aluguel da bicicleta, já que há o medo de ser roubado ou furtado; sendo própria é necessário a manutenção, caso saiba diminui os gastos. Poucos locais oferecem conserto de pneu furado, manutenção da bicicleta.

O entregador de aplicativo tem que arcar com sua alimentação, com o aluguel da caixa de entrega, salvo exceções, pagar pelo aluguel da bicicleta, ou pagar pela manutenção da própria bicicleta. Além disso, recarregar o celular para não ter o serviço suspendo ou cancelado. A prioridade: colocar crédito ou pagar pelos aluguéis da bicicleta e da caixa? Por isso, não há de ter limites para o uso dos créditos nós celulares.

Comprar um celular ou não?

Se for para investimento, como entrega por aplicativo, para quem está desemprego e necessita, urgentemente, de dinheiro, a compra de um celular bem simples, mas que dê para usar os aplicativos de entrega. Nada de celular com parafernálias tecnológicas sem necessidade para o momento.

O que quero dizer é investir, não gastar por impulso, pelas persuasões nas publicidades.

Por exemplo. 13º Bolsa Família. Natal próximo, oportunidade de comprar algum alimento que não come há muito tempo -- apesar de o Brasil ser um dos maiores produtores de grãos, muitos destes grãos sãos caros para a maioria. As frutas, em geral, são caras para os milhões de brasileiros vivendo com o mínimo existencial.

Se tem algum celular, e o serviço não foi cancelado, insira créditos para trabalhar com aplicativo.

Não tem celular? Tem alguma habilidade, como fazer salgadinhos, bolo? Compre os ingredientes e venda nas vias públicas. Se não tem habilidade compre pacotes com balas, ou com biscoitos, e venda.

Isso é empreendedorismo. Há um sacrifício pessoal. Deixar de comprar o que quer para comprar algo que dê rendimentos.

Claro, tudo depende das Prefeituras, das concessionárias de transportes públicos. Prefeitura não permite camelôs nas calçadas, os donos dos serviços públicos de transporte não querem vendedores dentro de seus automotivos.

É uma questão para o Estado social e para a responsabilidade social dos empresários. São assuntos que não se esgotam aqui.

Aliás, com as automações nos meios de produções, com as gerações de analfabetos, não saber ler, escrever e não ter conhecimento sobre tecnologia da informação, o básico, aliados com a Inteligência Artificial, cujos empregos intelectuais serão afetados, no futuro, não muito distante, as novas frentes de trabalho serão por venda de balas, bolos, salgadinhos e outros produtos que dependam somente dos "empreendedores". Com o tempo, esses empreendedores poderão montar alguma fábrica de bolos. Todavia, diante da realidade dos monopólios, a concorrência será desleal.

Por hora, no proposto por este artigo, pense muito bem sobre os 13º. Não gaste por impulso, não seja persuadido pelas publicidades de "comprou e seja feliz".

A vida é duríssima em países tradicionalmente geradores de desigualdades sociais, como o Brasil, por questões ideológicas sejam por Maldição de Cam, darwinistas, eugenistas.

Não é possível criar uma igualdade, plena, material, formal sim, pois cada ser humano, por sua natureza, tem seus limites. Alguns mais inteligentes do que outros, pelo dom natural. E há os "mais inteligentes" por condições mesológicas: a gestante se alimentava nutricionalmente? O local de nascimento continha desigualdades sociais por questões de pseudociências? O país é pobre por séculos de explorações coloniais? A miséria se deve por guerras civis em nome de alguma "verdade da Alcova"?

Fiat LUX.

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