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21 de Outubro de 2020

Monólogo do COVID-19 para a humanidade

E se COVID-19 pudesse se comunicar com os seres humanos?

Sérgio Henrique da Silva Pereira, Jornalista
há 2 meses

COVID-19:

Olá! Desde o momento em que "Deus morreu", pelo antropocentrismo, novos mitos foram criados pelos seres humanos. Vários sacerdotes surgiram para os “novos mitos”. O capital e as tecnologias se tornaram os novos "deuses", pelos seus "poderes". Ao contrário de um Deus determinista, controlador da vida humana, o próprio ser humano se tornou "deus", de si, do meio ambiente e de outros seres humanos. Pela inteligência e, consequentemente, capacidade de "controlar" a vida e a morte, aliada a ideia de cada ser humano ser uma potência inesgotável de conhecimento, determinação e coragem, com o tempo, o próprio planeta Terra não era mais o limite humano.

A ideia de "meritocracia", numa perspectiva da ideologia norte-americana, é "vencer por si". Os primeiros europeus, recém-saídos do "Velho Mundo", este carcomido, empobrecido por intermináveis guerras para saciar os apetites humanos por riquezas e glórias, no "Novo Mundo" tinham aos seus pés hectares e hectares de terras para conquistarem para produzirem, modificarem etc. conforme suas necessidades. Esqueceram de pedir "licença" para os nativos. E se não entregassem os hectares, muitas armas de fogo para “dizimar o inimigo”.

Antes dos americanos, os europeus e suas ciências aquém dos limites humanos. Uma nova forma de viver com os "avançados" maquinários movidos a vapor. A revolução industrial europeia prometia um modo de vida muito melhor para a própria espécie humana. Para alguns, sim, para a ,maioria da humanidade, não. Enquanto os proprietários artesãos sabiam e controlavam suas horas laborais, com a Revolução Industrial, não tinham mais controles sobre os seus próprios corpos, já que suas almas lhe pertenciam, os seus corpos pertenciam aos burgueses — sem correntes físicas aos seus corpos, as “correntes invisíveis” era o próprio corpo físico, ou melhor, o instinto de sobrevivência, os sucos gástricos corroendo a mucosa gástrica, por falta de alimentos etc..

A "ciência dos tubos de ensaio" prometia um novo habitat livre de doenças, de "pragas" — a vida biológica segue o seu curso natural, por buscar a própria existência, sobrevivência e perpetuação; o que é “praga” para a espécie humana é, na realidade, vida em sua plenitude — para a espécie humana. No campo econômico, as filosofias garantiram justificativas para diversas atuações empresariais. O "selvagens" e suas "crendices" eram obstáculos aos empresários. Para ridicularizá-los, a "razão" fora o alicerce para "os homens inteligentes e racionais". E com justificativa, os “civilizados” colonizaram para garantirem que os “selvagens”, os “primitivos” pudessem evoluir, nos costumes, nas tecnologias — se pensarmos na palavra “civilização” até o século XX, “ser civilizado” era ter os produtos de consumo, ter a “religião oficial”, ter a “boa moral”.

Se a natureza era inspiração para os filósofos gregos (a.C) e os romancistas cada qual interpretando de forma diferente, no "mundo dos racionais econômicos", a natureza era tão apenas "meios de apropriações de riquezas". E das apropriações, as transformações, o sistema de manufatura.

Na Guerra Fria, potências ideológicas tentavam demonstrar aos demais países que elas eram a vida que a humanidade sempre quis ter. Nas ânsias de suas "grandezas", as guerras fratricidas. Ambas as potências interferiram nas políticas internas de outros países, e ambas justificavam suas ações com ares de “defesa contra o intruso”.

E o século XX se transformou nos ideais desde "meritocracia", "liberdade" até "sem limites", isto pela pela ideologia capitalista. Enquanto no chamado “bloco comunista”, a ideologia era “derrotar os burgueses”. Interessantíssimo Stalinismo é Comunismo? Transcrevo:

“A questão diz-nos também respeito porque, na corrente mais afeta ao comunismo revolucionário, estão a surgir opiniões semelhantes: “Staline não seria tão atacado se não fosse um grande revolucionário”, “os excessos do stalinismo, se enquadrados na situação da época, não merecem condenação porque eram necessários”, “se Staline é um papão para a burguesia, é bom para nós”.

Claro, isto exprime um desejo de desforra, de sair da impotência a que chegamos. Hoje, quando as “grandes causas” da esquerda se ficam, em geral, pela oposição leal e retórica aos governos que arrastam o mundo para a catástrofe, não admira que a imagem de força de Staline seduza o espírito de muitas pessoas com simpatias comunistas.

Louvar Staline é para eles uma forma de manifestar rebeldia contra os propagandistas assalariados do sistema, que reclamam, armados em humanistas, a condenação do demônio Staline para fazer-nos ajoelhar perante a democracia capitalista: Staline foi um “monstro”, igual a Hitler; mas os governantes ocidentais que têm vindo a massacrar milhões de inocentes, da Coreia ao Vietname, da Argélia à Guatemala, da Indonésia ao Chile, esses, quando muito, cometeram “erros”!” (1) (grifo do COVID)

Antes de prosseguir, é necessário observar alguns acontecimentos históricos.

Racismos sempre existiram na humanidade. Filósofos justificavam os racismos, cientistas também. “Servos” e “senhores”, “fortes” sobre os “fracos”, o gênero masculino com mais dignidade do que o gênero feminino. Assim foi por séculos. E já que estou me referindo aos tipos de racismos, a importância da História. E já que me referi ao século XX, necessário particularizar um acontecimento que levou o Japão a ser “antidemocrático”, isto é, fazer parte do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Com o fim da Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918), a ideia de paz, a Conferência de Paz de Paris de 1919. O Japão propôs a cláusula de igualdade racial na Carta da nova Sociedade de Nações.

“Desde o princípio a delegação japonesa, presidida pelo político liberal Makino Nobuaki, não foi tratada como um igual pelos Quatro Grandes (França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e Itália), apesar de ter fazer parte do bando aliado vencedor. Não só colocaram Makino no canto extremo da mesa de negociações, senão que seus membros tiveram que suportar comentários humilhantes e piadas imbecis — o presidente francês Georges Clemenceau, por exemplo, se queixou de ter que estar junto aos "feios" japoneses em uma cidade cheia de loiras atraentes.” (2)

É de se considerar, neste planeta, em qualquer localidade, jamais houve, realmente, igualdade para todos, muito menos equidade. A “igualdade para todos” era tão somente a letra fria de cada ordenamento jurídico de cada país. À realidade, os racismos. Se pensarmos na democracia norte-americana, as normas não eram uniformes, isto é, em cada estado normas diferentes. Isso garantiu que, por exemplo, os negros pudessem ser escravizados em alguns estados. As leis raciais nos EUA, melhor, o apartheid norte-americano, garantia que os negros continuassem como párias sociais. Quando a Suprema Corte dos EUA, pela “ativismo judicial”, agiu contra o racismo (3), os movimentos sociais racistas foram contra as decisões da Suprema Corte.

Tudo frenético, o "aqui agora". Sendo a vida breve, cada qual deveria viver como bem quisesse, com ajuda das publicidades para mostrarem aos ansiosos e aos duvidoso "como viver bem". A máxima de “viva como bem quiser” tem origem nos EUA, a partir dos anos de 1960, sendo tal máxima criada por alguns filósofos libertários.

Dos gurus indianos, a busca da felicidade além-túmulo, os "novos gurus", do século XX, ensinavam "como viver melhor". Para isso, a "felicidade" estava no consumismo. Ainda que certos produtos não fossem inacessíveis para a maioria dos seres humanos, de classes sociais baixas, o consumismo ainda era a ideia de "felicidade". Se na Idade Média as riquezas eram para poucos, como reis, rainhas, nobres e clérigos, e se a mobilidade social era impensável, pois Deus colocou cada ser humano no "devido lugar e condição”, a burguesia criou um novo modelo de vida, cada qual pode ser"príncipe"ou"princesa", cada qual pode ter quaisquer riquezas, desde o momento em que pudesse pagar.

No século XXI, a era dos Direitos Humanos parecia consolidado. Povos fraternos, os animais não humanos considerados como dignos, a flora como essencial para a sobrevivência de todas as espécies, principalmente a espécie humana.

Apenas sonhos distantes. A humanidade oscilou entre pretéritos conceitos de vida, os senhores e os servos, a vida como" caixa registradora "e a vida embasada nos Direitos Humanos.

" Democracia ", a palavra serviu para interesses de países numa nova colonização. A dignidade humana passou a ser defendida" conforme a comunidade ". Ainda impera a" justiça pelas próprias mãos ", e o transgressor merece morrer. Os Direitos Humanos “perdoam” os bandidos, as Igrejas “convertem” os bandidos. A dicotomia em relação à dignidade humana muda conforme o tipo ideológico de cada comunidade. Por exemplo, ladrão preso por furtar uma manga deve ser perdoado, mas caso ele bata numa mulher, não há justificativas, ainda que seja produto da própria cultura machista, e merece"o rigor da lei". Para os Direitos Humanos, todos são dignos, isto é, cada ser humano é um fim em si mesmo, não possibilitando que outros seres humanos, pelo utilitarismo, possa coisificar a dignidade, que é sempre universal, atemporal, imprescritível, irrenunciável. O miserável que furta uma manga e, nalgum momento, comete violência contra mulher, não possui dignidade, como se a dignidade fosse transitória, isto é, a dignidade deve ser valorizada pelos atos e comportamentos, não como condição inata a qualquer ser humano — recomendo leitura dos artigos Justiça, o lado moral da internet — Parte IX. Ética (4) e Responsabilidade civil. O caso das agressões ao motoboy e a dignidade do agressor (Mateus Prado) (5).

Em tempos de “justiças”. Imaginem E se os descendentes matassem todos os estupradores? (6)

A ideia de “liberdade”, pela democracia e pelos Direitos Humanos garantiram guerras justificadas. A perplexidade é quanto ao que se fala e ao que se faz. Como um país, qualquer que seja, defende democracia, como liberdade, se em seu próprio território há racismos, perseguições políticas, abusos de autoridades, corrupções institucionalizadas, mas disfarçadas de “livre mercado”? Algum (a) leitor (a) assistiu A Lavanderia? Não faço publicidade do canal de streaming, contudo, por ser didático, A lavanderia, disponível no Netflix, narra como os “paraísos fiscais” funcionam e como os Estados, principalmente os EUA, deixam, por meio de seus Estados de Direito, que tais crimes ocorram.

O caso Panama Papers revelou um esquema global de ocultações de riquezas, por empresas, políticos e ricos. É de se estranhar que os mesmos (empresários e ricos) se dizem a favor da “mão invisível” do mercado, da não intromissão dos Estado, com regulamentações, no livre mercado. No entanto, quando há crises financeiras e econômicas, como no meu caso (COVID-19), empresários e ricos pedem auxílios aos respectivos Estados. É de se considerar que a “mão invisível” agisse, como? Vamos imaginar várias empresas e microempresas falindo. Há empresas capazes de comprarem outras empresas. No cenário de “mão invisível”, as empresas e, principalmente as microempresas, seriam compradas por preços irrisórios, já que é necessário comer para viver. “Procura e necessidade”. A necessidade faria com que o empresário falido aceitasse qualquer proposta (pacta sunt servanda). O empresário que decretou falência pode até, pelo autopossessão, fazer contraproposta, contudo, como é ciente de todos, pela filosofia libertária, o que vale é o acordo de vontade entre as partes, jamais pela “coação”, algo como arma de fogo na cabeça. Assim, no caso do Brasil, a Lei Nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005 (Regula a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária) é uma intromissão do Estado nas relações privadas. A Lei Nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005 visa, dentro das possibilidades, manter a existência da empresa para, o principal, assegurar que a função social da empresa continue e, por consequência, os empregos, da atividade econômica, continuem.

Ora, se a propriedade privada é um direito natural, e a nenhum Estado é permitido interferir na propriedade privada, assim muito difundido pelos defensores de “não coação estatal na propriedade privada”, a “função social” da propriedade (art. , XXIII, da CRFB de 1988)é uma “violência” do Estado aos proprietários. Outra “violência” à propriedade privada é a norma contida no art. 135-A, do DECRETO-LEI Nº 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940.

“Art. 135-A. Exigir cheque-caução, nota promissória ou qualquer garantia, bem como o preenchimento prévio de formulários administrativos, como condição para o atendimento médico-hospitalar emergencial: (Incluído pela Lei nº 12.653, de 2012).
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. (Incluído pela Lei nº 12.653, de 2012).
Parágrafo único. A pena é aumentada até o dobro se da negativa de atendimento resulta lesão corporal de natureza grave, e até o triplo se resulta a morte. (Incluído pela Lei nº 12.653, de 2012).”

Outra “opressão” aos proprietários é o Estado brasileiro proibir a exigência de atestados de gravidez e esterilização, e outras práticas discriminatórias. E a LEI Nº 9.029, DE 13 DE ABRIL DE 1995, na norma do art. , proíbe “a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de trabalho, ou de sua manutenção, por motivo de sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, deficiência, reabilitação profissional, idade, entre outros, ressalvadas, nesse caso, as hipóteses de proteção à criança e ao adolescente previstas no inciso XXXIII do art. 7o da Constituição Federal”.

Para compreensão do que explano, o libertário Milton Friedman, em seu livro Capitalismo e Liberdade, defendia o utilitarismo racista contra a imposição do Estado de acabar com o racismo:

“Legislação sobre discriminação nos empregos Comissões que estudam as práticas discriminatórias na contratação de serviços por motivos de raça, cor ou religião foram criadas em numerosos Estados com a tarefa de evitar a" discriminação ". A existência dessas comissões constitui clara interferência na liberdade individual de estabelecer contratos de trabalho com quem quer que seja. Com isso, cada contrato está sendo submetido à aprovação ou desaprovação do Estado. Portanto, trata-se de interferência direta na liberdade, do tipo contra o qual objetaríamos em muitos outros contextos. Além disso, como acontece quase sempre com outras interferências na liberdade, os indivíduos submetidos à lei não são em geral aqueles cujas ações os proponentes da lei desejam controlar.
Considerem, por exemplo, a situação de uma loja situada num bairro habitado por pessoas que têm forte aversão a serem servidas por negros. Suponhamos que uma destas lojas tenha vaga para um empregado, e o primeiro candidato a se apresentar seja negro e preencha todas as exigências estabelecidas pelo empregador. Suponhamos ainda que, como consequência da lei em questão, a loja seja obrigada a contratá-lo. O efeito de tal ação será a redução do movimento de negócios e a imposição de prejuízo ao proprietário. Se a preferência do bairro é realmente firme, poderá levar ao fechamento da loja.
Quando o proprietário de uma loja contrata empregados brancos em vez de negros, no caso de não existir uma lei a respeito. ele pode não estar manifestando preferência ou preconceito ou gosto próprios. Pode estar simplesmente transmitindo os gostos da comunidade a que serve. Está na realidade oferecendo aos consumidores os serviços que estes desejam consumir. Entretanto, ele fica prejudicado — e pode ser mesmo o único prejudicado - por uma lei que o proíbe de desenvolver essa atividade, isto é, que o proíba de satisfazer os gostos da comunidade contratando um empregado branco em vez de negro. Os consumidores, cujas preferências a lei pretende corrigir, serão afetados somente no sentido de que o número de lojas ficará limitado e terão que pagar um preço mais alto porque uma delas fechou. Esta análise pode ser generalizada. Na grande maioria dos casos, os empregadores transmitem a preferência de seus clientes ou dos outros empregados, quando adotam políticas de emprego que tratam fatores irrelevantes para a produtividade técnica e física como relevantes para o emprego. De fato. os empregadores têm tipicamente um incentivo, como já observado, para tentar de todos os modos satisfazer as preferências dos clientes ou dos empregados — se o não atendimento de tais preferências pode custar-lhes mais caro.”

À questão de liberdade de propriedade, autopossessão do proprietário e seu direito natural de contratar com quem quer seja, conforme o tipo de ideologia, já foi parar na Suprema Corte dos EUA:

Supremo dos EUA dá vitória a confeiteiro que negou bolo a casal gay
A Suprema Corte americana deu razão a um confeiteiro que, por motivos religiosos, se negou a preparar um bolo de casamento para um casal gay. Por sete votos a dois, os magistrados concluíram que a Comissão de Direitos Civis do Colorado — que considerou que Jack Phillips violara lei estadual que proíbe negar serviços com base na raça ou orientação sexual — violou os direitos religiosos do confeiteiro, protegidos pela primeira emenda da Constituição americana.
“A consideração neutra e respeitosa à qual Phillips tinha direito estava comprometida”, diz a decisão, assinada pelo juiz Anthony M. Kennedy. “O tratamento do caso pela Comissão de Direitos Civis tem elementos de clara e inadmissível hostilidade em relação às crenças religiosas que motivaram sua objeção”. (7)

Do BBC News:

“Quais poderiam ser as ramificações?
Alguns considerarão a decisão - que prestadores de serviços de qualquer religião, raça ou orientação sexual podem se recusar a endossar uma mensagem da qual discordam profundamente — como uma vitória para a liberdade de expressão e liberdade de ideias, disse o correspondente legal da BBC Clive Coleman.
A decisão agora levanta a questão de saber se seria legal, por exemplo, uma padaria se recusar a fazer um bolo de bar mitzvah porque os donos dos padeiros discordavam das ideias no cerne da religião judaica. Que tal um bolo promovendo"a glória do Brexit","apoiar a caça à raposa"ou"apoiar o veganismo"?
Como resultado da decisão de quarta-feira, é provável que haja mais casos em que os serviços são recusados ​​com base em crenças mantidas pelos prestadores de serviço, acrescenta nosso correspondente.” (8) (grifo do COVID)

A comparação entre “o caso do bolo gay” e “uma padaria se recusar a fazer um bolo de bar mitzvah porque os donos dos padeiros discordavam das ideias no cerne da religião judaica” foi muito oportuna.

As comunidades antirracistas, sejam elas contra racismos aos negros, às mulheres, aos LGBTIs etc. argumentam que qualquer forma de defesa aos utilitarismos racistas é perpetuar o racismo. Concordo, pois a educação, seja ela dentro dos lares ou por instituições de ensino, privadas ou públicas, ensinam mais do que matérias (exatas ou humanas); ensinam valores sociais. Se considerarmos todas as crianças como “folhas em branco”, isto é, sem quaisquer convenções humanas, as crianças aprenderão valores; e os valores podem ser racistas, ou até discriminatórios.

Será que há" dois pesos e duas medidas "quanto à dignidade humana? Se os Direitos Humanos, e educação fundada nestes direitos, têm" missão "de terminar com os racismos e preconceitos, é de se considerar que o direito de propriedade e a liberdade de crença não podem justificar nada que seja contrário aos próprios Direitos Humanos. Esses direitos representam uma nova ética nas relações humanas. E a consolidação dos Direitos Humanos, após a Segunda Guerra Mundial, é a" missão "de todos que defendem tais direitos para garantir uma sociedade livre, ou pelo menos com menos racismos estruturais, de racismos e preconceitos. E quantos racismos e preconceitos foram criados pelos seres humanos através de filósofos, cientistas, criminólogos etc.?

Milton Friedman poderá ser considerado como" racista "por defender o utilitarismo racista da comunidade" antinegro ". Não quer dizer que Friedman seja, realmente," antinegro ". A posição do economista libertário é a defesa da propriedade privada, do utilitarismo dos seres humanos antinegros, por suas liberdades garantidas pelo direito natural, este muito antes da criação de qualquer Estado.

O problema está em dois pontos: 1) toda criança nasce odiando negros? 2) as crianças, o que aprenderam de suas respectivas culturas?

Se é possível provar que algumas crianças, independentemente dos valores culturais, nascem com aversões às outras crianças, de etnias diferentes, é possível considerar que não há" folha em branco ", ou seja, cada criança nasce com determinadas personalidades muito antes de quaisquer contatos com os adultos e outras crianças. Assim, não é a cultura que molda a personalidade, a personalidade existe por si; é" incriada "por quaisquer culturas.

Encontrei, por acaso, alguns vídeos sobre a" Arquitetura da Discriminação ". São eles:

Se toda criança é uma" folha em branco ", o que os adultos estão escrevendo em cada" folha "? E qual tipo de futuro ter-se-á nas relações interpessoais?

Pandemia. No início, os negativistas, os defensores da" propriedade privada ", ao próprio corpo, contra o" Estado ditador ". Os ricos disseminaram o vírus, a pandemia. Os pobres, párias seculares por construtivismo ideológicos racistas, agora, não têm como se protegerem, pois a economia não pode parar, e os párias ainda não podem, por pouco tempo, ser substituídos por robôs, androides.

E a" deusa ", a riqueza, não trouxe paz, segurança, carinho, tranquilidade," vida eterna ". O que era efêmero, como as plásticas simplesmente estéticas, os músculos com anabolizantes, as indumentárias de grifes famosas, pela" deusa ", agora, com a pandemia, continua ambíguo. Para alguns seres humanos, o efêmero (consumismo, modismo etc.) é a liberdade individual, o reconhecimento da exata medida de" meritocracia ". Outros ainda mais consideraram a" deusa "como a tábua de salvação, o náufrago se agarra na tábua como se estivesse em automar. E outros seres humanos consideram que eu (COVID-19) trouxe algumas lições: a família é o maior bem, a igualdade sem equidade é falácia, a educação deve ser capaz de elucidar os conceitos racistas e preconceituosos como sem fundamentações alguma, a economia jamais pode ser prioritária enquanto a dignidade humana é coisificada, a propriedade privada sempre deve visar o interesse público, a sua função social.

Em se tratando de Estado, a maioria acredita que a corrupção não é um mal do mito Estado, mas está peremptoriamente relacionada com a forma que se concebe o próprio Estado. Afinal, enquanto o Estado conter os pilares dos Direitos Humanos, as sociedades serão menos desiguais, pois pretéritas ideologias discriminatórias tendem a desaparecerem. Não é a nova geração que mudará o mundo, conquanto que possam nascer seres humanos aquém de suas eras humanas, todavia os valores que são ensinados, pelos adultos, às crianças.

NOTAS:

(1) — MARXISMO.org. Stalinismo é Comunismo? Disponível em: https://www.marxists.org/portugues/rodrigues/2003/mes/stalinismo.htm

(2) — MIDIG. Você sabia que o Japão propôs uma emenda contra o racismo no Tratado de Versalhes. Disponível em: https://www.mdig.com.br/index.php?itemid=46813#:~:text=A%20proposta%20de%20igualdade%20racial,depois%20da%20Primeira%20Guerra%20Mundial.&text=De%20fato%2C%20os%20japoneses%20apenas,uma%20s%C3%A9rie%20de%20medidas%20concretas

(3) — Penn Institute for Urban Research. A Brief History of Race and the Supreme Court (Resumo da História da Raça e da Suprema Corte) , Disponível em: https://repository.upenn.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1016&context=penniur_papers

(4) — PEREIRA, Sérgio Henrique da Silva. Justiça, o lado moral da internet — Parte IX. Ética. Disponível em: https://sergiohenriquepereira.jusbrasil.com.br/artigos/597133363/justicaolado-moral-da-internet-parte-ix-ética

(5) — PEREIRA, Sérgio Henrique da Silva. Responsabilidade civil. O caso das agressões ao motoboy e a dignidade do agressor (Mateus Prado). Disponível em: https://sergiohenriquepereira.jusbrasil.com.br/artigos/901216816/responsabilidade-civilocaso-das-agressoes-ao-motoboyea-dignidade-do-agressor-mateus-prado

(7) — PEREIRA, Sérgio Henrique da Silva. Justiça, o lado moral da internet — Parte XVIII. E se os descendentes matassem todos os estupradores? Disponível em: https://sergiohenriquepereira.jusbrasil.com.br/artigos/767906225/justicaolado-moral-da-internet-parte-xviiiese-os-descendentes-matassem-todos-os-estupradores?ref=serp

(8) — O Globo. Supremo dos EUA dá vitória a confeiteiro que negou bolo a casal gay. Disponível em: https://oglobo.globo.com/sociedade/supremo-dos-eua-da-vitoria-confeiteiro-que-negou-bolo-casal-gay-22744369

(9) — BBC NEWS. Discussão sobre 'bolo gay' de Ashers: padeiros ganham recurso da Suprema Corte (tradução livre). Disponível em: https://www.bbc.com/news/uk-northern-ireland-45789759

REFERÊNCIAS:

BBC BRASIL. Panama Papers: como escândalo chega ao Brasil e à América Latina. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/04/160405_panama_papers_america_latina_lab

FORBES. Os impressionantes números por trás do caso Panama Papers. Disponível em: https://forbes.com.br/fotos/2016/04/os-impressionantes-numeros-por-tras-do-caso-panama-papers/

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